Pesquisas realizadas nos EUA identificaram alta de 17% nas hospitalizações por doenças cardiovasculares agudas e de 77% nos episódios de arritmia em grupos estudados.
Estudos realizados nos Estados Unidos identificaram aumento de hospitalizações por doenças cardiovasculares e de episódios de arritmia em períodos próximos a eleições presidenciais. Os resultados apontam uma possível associação entre momentos de forte tensão emocional e alterações na saúde do coração, embora os pesquisadores tenham analisado populações e períodos específicos.
Publicado em 2022 na revista científica JAMA Network Open, um estudo analisou dados de 6.396.830 adultos vinculados a dois sistemas de saúde da Califórnia. Nos cinco dias seguintes à eleição presidencial norte-americana de 2020, a taxa de hospitalizações por doenças cardiovasculares agudas foi 17% maior do que nos mesmos cinco dias duas semanas antes. No caso do infarto agudo do miocárdio, o aumento chegou a 42%.
Outra pesquisa, publicada em 2021 no Journal of the American Heart Association, identificou um aumento de 77% na incidência de arritmias durante um período de seis semanas que incluiu a eleição presidencial norte-americana de 2016, em comparação com um período de controle. O estudo acompanhou 2.436 pacientes que utilizavam dispositivos cardíacos implantados, como marca-passos e desfibriladores. Por envolver pessoas com condições cardíacas específicas, os resultados não podem ser extrapolados para a população em geral.
Descarga de adrenalina pode desencadear arritmias
O cardiologista Gustavo Lenci, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, explica que situações de estresse intenso podem provocar uma descarga de adrenalina, acelerando os batimentos cardíacos e favorecendo o aparecimento de arritmias. Pessoas com doenças cardiovasculares preexistentes podem ser mais vulneráveis, mas alterações no ritmo cardíaco e episódios de pressão alta também podem ocorrer em quem não tem diagnóstico conhecido de doença cardíaca.
“A descarga de adrenalina provocada por uma situação de estresse intenso pode desencadear uma arritmia. Isso pode acontecer inclusive em pessoas que não têm uma doença cardíaca conhecida. O risco também pode aumentar quando o estresse vem acompanhado de privação de sono e consumo excessivo de energéticos”, explica Lenci.
Segundo o especialista, a combinação desses fatores merece atenção. Em períodos de tensão, algumas pessoas reduzem as horas de sono e recorrem a bebidas energéticas para permanecer acordadas. A privação de sono e o consumo excessivo de estimulantes podem intensificar os efeitos do estresse sobre o organismo e favorecer alterações no ritmo cardíaco.
Estresse pode contribuir para um infarto?
Embora possa atuar como fator desencadeante em determinadas circunstâncias, o estresse intenso não costuma ser a única causa de um infarto. De acordo com Lenci, o evento frequentemente está relacionado a um processo que se desenvolve ao longo dos anos, com a formação e o crescimento de placas de gordura nas artérias coronárias.
“O infarto, muitas vezes, é algo que foi cultivado no decorrer dos anos, com uma placa de gordura que vai se depositando e crescendo até que, em determinado momento, ela se rompe e gera o infarto. Então, infarto só pelo estresse é pouco provável, mas, se vier num contexto de hábitos de vida ruins por mais tempo, isso pode acontecer”, afirma o cardiologista.
Destaque – O estresse intenso pode acelerar os batimentos cardíacos e desencadear arritmias. Imagem: aloart / G. I.




