Alta nas vendas de perecíveis exige frotas adaptadas e fomenta parcerias entre montadoras e indústrias de transformação automotiva.
O mercado brasileiro de frete e logística caminha para um cenário bilionário. Impulsionado pela consolidação do e-commerce e pela necessidade de digitalização das empresas, o setor deve ultrapassar a marca de US$ 129,34 bilhões até 2029, segundo projeções da Mordor Intelligence. Esse crescimento tem provocado um efeito cascata na indústria automobilística, gerando uma forte demanda por veículos especiais e adaptados para o transporte urbano de cargas.
A expansão do setor transformou a logística em uma das principais fontes de renda no país. Dados do IBGE apontavam, já em 2024, um contingente de 485 mil trabalhadores atuando em aplicativos de entrega de mercadorias e alimentos. Com o mercado cada vez mais competitivo, a profissionalização virou regra, abrindo espaço para soluções sob medida, como carros modificados para carga e sistemas de refrigeração.
Logística do frio: o desafio dos perecíveis e medicamentos
O grande motor dessa transformação recente é o avanço das compras de supermercado e farmácia online. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o segmento de alimentos e bebidas no e-commerce saltou 18,4%, movimentando R$ 16 bilhões. Para que produtos perecíveis e medicamentos sensíveis cheguem intactos ao consumidor final, a estrutura tradicional de entrega já não basta.
Referência no segmento de transformação automotiva, o Grupo Raytec tem observado essa mudança de comportamento na ponta do consumo. Jonatas Matos, presidente do grupo, destaca que os veículos leves adaptados oferecem uma saída estratégica tanto para grandes operações quanto para motoristas autônomos que buscam valorizar o seu serviço.
“Diante da expansão do frete urbano e do avanço do e-commerce, os automóveis modificados, como os refrigerados, se consolidam como uma solução para atender operações que exigem controle de temperatura e que ofereçam maior valor agregado ao mercado profissional de entrega. É uma oportunidade de aumentar o ticket médio.”
Parcerias direto da fábrica
O impacto desse nicho é tão expressivo que começou a desenhar novas estratégias comerciais entre grandes montadoras e empresas de modificação. Um exemplo prático foi a parceria formalizada entre a Raytec e a Renault do Brasil. A montadora passou a disponibilizar em suas concessionárias modelos utilitários já transformados de fábrica, mirando não apenas o mercado nacional, mas toda a América Latina.
Esse movimento facilita o acesso de pequenos e médios empreendedores a veículos homologados e prontos para o trabalho, eliminando a necessidade de intermediários para a adaptação e acelerando a entrada de novas frotas eficientes na última milha do e-commerce (last mile).
Destaque – Matos: “Esse movimento acompanha a profissionalização do frete urbano e responde a uma demanda crescente por eficiência e maior competitividade nas entregas.” Foto: Claúdio Almeida / + aloart



