Impulsionadas pelo social commerce e entrega rápida, PMEs ganham espaço e já abocanham quase metade do faturamento digital na data.
O Dia dos Namorados de 2026 consolida uma mudança profunda no comportamento de compra do brasileiro, misturando o apelo emocional da data com um consumo mais pragmático. De acordo com dados da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil, a expectativa é que a data movimente R$ 22 bilhões no varejo, levando cerca de 93 milhões de consumidores às compras.
A grande força do período, no entanto, vem dos pequenos e médios negócios (PMEs) digitais. Uma análise de dados realizada pela LWSA — baseada na movimentação de lojistas das plataformas Tray, Bagy, Bling e Cplug — mostra que esse ecossistema faturou R$ 9,46 bilhões no mesmo período do ano anterior, registrando um crescimento anual de 17% em vendas e alta de 8,5% no volume total de pedidos.
As grandes tendências de consumo para a data
Os dados levantados pelas plataformas revelam que o preço deixou de ser o único fator decisivo. O comportamento do consumidor atual tem sido moldado por novos desejos e canais de descoberta.
Thiago Mazeto, Diretor das plataformas de e-commerce Tray e Bagy, aponta duas grandes mudanças no perfil dos compradores que estão ditando o ritmo dos estoques neste trimestre:
“Notamos um fortalecimento do chamado ‘luxo acessível’ no Dia dos Namorados, em que os consumidores optam por itens aspiracionais de menor tíquete, como perfumes, acessórios, joias de entrada e produtos de beleza, sem abrir mão da experiência emocional da data. Há também o crescimento do self-gifting, quando as pessoas compram produtos para si mesmas para participar da sazonalidade ou aproveitar promoções, impulsionando principalmente categorias de autoestima e bem-estar.”
Além da mudança nos produtos, o formato da venda se transformou. O uso do social commerce — vendas integradas a vídeos curtos e transmissões ao vivo (live commerce) — virou a principal ferramenta das PMEs para encurtar a jornada do cliente.
Conveniência logística e o “Fator Copa do Mundo”
Outro ponto crítico mapeado pelas empresas de tecnologia da LWSA foi a eficiência operacional. Campanhas focadas em kits personalizados e operações que ofereceram maior previsibilidade, entrega rápida ou retirada física tiveram um desempenho de conversão muito superior à média de mercado.
A proximidade com outros grandes eventos do ano também promete mexer com a sazonalidade habitual, criando novas oportunidades para os lojistas:
“O consumidor está cada vez mais conectado à experiência completa da compra. Neste ano, existe ainda um cenário interessante com a proximidade entre o Dia dos Namorados e o início da Copa do Mundo, o que pode impulsionar ainda mais categorias ligadas a entretenimento, encontros em casa, presentes e experiências compartilhadas, além claro de itens esportivos e de vestuário”, conclui Mazeto.
Destaque – Imagem: aloart / G.I.



