Desenvolvida por pesquisadores da UNESP, de universidade britânica e pela Prefeitura de SP, ferramenta concorre ao prestigiado IFORS Prize 2026, na Áustria.


Uma tecnologia desenvolvida em solo paulista pode receber, nesta semana, um dos maiores reconhecimentos globais na área de Pesquisa Operacional para o Desenvolvimento. Uma metodologia de gestão de estoque e distribuição criada para o Banco de Alimentos da capital paulista é uma das seis finalistas do IFORS Prize for OR in Development 2026, cuja etapa final ocorre entre os dias 12 e 17 de julho na Áustria.

O projeto é fruto de uma cooperação científica entre a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA), pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biometria da UNESP Botucatu e o Centro de Pesquisa Operacional e Análise de Decisão da University of Portsmouth, no Reino Unido. Com financiamento da FAPESP, CNPq e CAPES, a ferramenta usa ciência de dados e modelagem matemática para otimizar o combate à fome e ao desperdício.

Logística de alta precisão contra o desperdício

Na prática, os pesquisadores criaram um aplicativo que substitui os antigos processos manuais e planilhas por um sistema integrado de apoio à decisão. A metodologia de Pesquisa Operacional (PO) cruza dados de controle de estoque, tempo de prateleira dos produtos e indicadores de vulnerabilidade social das entidades cadastradas.

A inteligência de dados agiliza o fluxo de trabalho e garante a rastreabilidade das doações, otimizando o tempo de triagem dos itens alimentícios. A precisão digital é indispensável diante do tamanho da operação: somente em 2025, o Banco de Alimentos de São Paulo recebeu 630 toneladas de insumos, destinando 577 toneladas diretamente para a doação à população vulnerável.

O pesquisador de pós-graduação Rhyan Rampazzo, que lidera o desenvolvimento metodológico ao lado da Profa. Dra. Daniela Cantane, pontua como a iniciativa nasceu da observação do cotidiano do equipamento público:

“A iniciativa surgiu a partir de visitas técnicas junto ao Banco de Alimentos, nas quais foram identificados desafios relacionados à gestão de estoque, distribuição de alimentos e tomada de decisão operacional. O Banco de Alimentos tornou-se objeto do estudo justamente por representar um ambiente de alta relevância social, com desafios logísticos complexos e grande potencial de impacto público.”

Parceria científica e impacto em políticas públicas

Embora os estudos acadêmicos tenham começado em 2021 na UNESP, a implementação prática nos galpões do Banco de Alimentos ocorreu entre 2023 e 2024, passando por fases contínuas de validação ao longo de 2026. A parceria envolveu a modelagem matemática liderada pelos cientistas brasileiros, o aprimoramento metodológico do Prof. Dr. Dylan Jones (University of Portsmouth) e a estrutura operacional fornecida pela SESANA.

Para a Profa. Dra. Daniela Cantane, a consolidação desse ecossistema digital pode pavimentar o caminho para outras frentes de gestão municipal, embora demande cautela:

“Acreditamos que a experiência desenvolvida em parceria com o Banco de Alimentos pode contribuir como referência para outras iniciativas e políticas públicas da Prefeitura, monitoramento e apoio à tomada de decisão. No entanto, entendemos que cada política pública possui particularidades operacionais e institucionais próprias, de modo que eventuais expansões dependeriam de adaptações e validações específicas para cada contexto.”

Se consagrada vencedora na Áustria frente a projetos globais de saúde, segurança pública e resíduos, a conquista coroará o ecossistema de proteção social de São Paulo. A capital paulista, inclusive, foi reconhecida no final de 2025 pelo Guinness World Records como a detentora do maior programa municipal de segurança alimentar do planeta, após distribuir mais de 933 toneladas de alimentos em apenas 24 horas.


Destaque – O projeto é uma cooperação científica entre a Prefeitura de São Paulo, por meio da SESANA, pesquisadores da UNESP Botucatu e da University of Portsmouth, no Reino Unido. Foto: Prefeitura de SP


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