Alta foi puxada por matérias-primas e impacto de combustíveis; índices ao produtor, consumidor e construção registram aceleração simultânea.


O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou alta de 2,94% em abril de 2026, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado marca uma forte reversão em relação a março, quando o índice havia caído 0,24%.

 

Fonte e gráfico: FGV IBRE

 

Com isso, o indicador acumula alta de 2,57% no ano e de 0,56% em 12 meses. Em abril do ano anterior, o índice havia recuado 0,22% no mês, mas ainda mostrava alta acumulada mais expressiva no período.

Alta do IGP-10 é puxada por matérias-primas e impacto global

Segundo o economista da FGV IBRE, Matheus Dias, a forte aceleração dos preços ao produtor está ligada a fatores internacionais, como tensões geopolíticas no Oriente Médio, além de pressões sazonais no setor agropecuário.

Entre os destaques estão altas expressivas em insumos como ácido sulfúrico (+29%) e fertilizantes (+6,8%), além do avanço de cerca de 20% no preço do tomate.

O impacto também chegou aos combustíveis, influenciando toda a cadeia produtiva — do transporte aos custos da construção civil.

IPA sobe 3,81% e lidera avanço do índice

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve forte alta de 3,81% em abril, após queda de 0,39% no mês anterior.

O movimento foi generalizado:
• Bens finais: de 0,59% para 1,15%
• Bens intermediários: de -0,33% para 1,95%
• Matérias-primas brutas: de -1,11% para 7,01%
• Bens finais (ex): de 0,16% para 0,53%
• Intermediários (ex): de -0,03% para 1,19%

O avanço das matérias-primas foi o principal fator de pressão inflacionária no mês.

IPC acelera e reflete alta nos combustíveis e alimentos

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,88% em abril, bem acima da variação de 0,03% registrada em março.

A alta foi disseminada entre os grupos de despesa, com destaque para:
• Transportes: 0,06% para 2,31%
• Alimentação: 0,37% para 1,41%
• Habitação: 0,31% para 0,35%
• Saúde e cuidados pessoais: 0,18% para 0,31%
• Vestuário: 0,07% para 0,40%
• Despesas diversas: 0,88% para 1,10%
• Educação, leitura e recreação: -2,16% para -0,60%

O grupo Comunicação foi o único a registrar desaceleração.

Custo da construção também acelera com pressão de insumos

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,88% em abril, acima dos 0,29% registrados em março.

Todos os componentes registraram aceleração:
• Materiais e equipamentos: 0,28% para 0,98%
• Serviços: 0,25% para 0,83%
• Mão de obra: 0,31% para 0,77%

O movimento reforça a disseminação da alta de preços em diferentes setores da economia.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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