A frota de veículos elétricos no Brasil cresce a passos largos, mas uma dúvida ainda trava a decisão de muitos potenciais compradores: É possível ter um carro elétrico sem ter um carregador na garagem?”

A resposta é sim. No entanto, para entender como isso funciona na prática, precisamos abandonar a velha lógica do carro a combustão. A verdadeira revolução da mobilidade elétrica não está em desviar do caminho para ir a um “posto”, mas em aproveitar os lugares onde o usuário precisa estar.

Neste cenário, o mercado tem se dividido em duas visões: os Hubs de Recarga e a Recarga de Destino.

A ilusão dos Hubs de Recarga na rotina urbana

Quando pensamos em carregamento rápido, logo imaginamos os grandes Hubs de Recarga. Embora sejam fundamentais nas rodovias, eles apresentam desafios sérios para a rotina nas cidades.

Para o investidor, exigem aportes milionários, repassando o alto custo da recarga ao usuário final. Para o motorista, a experiência é pouco conveniente: exige adicionar uma parada extra na rotina. Por melhor o serviço que seja oferecido no local, o usuário está ali apenas “gastando tempo”, enquanto aguarda o carro carregar para poder seguir com o seu dia a dia.

A solução real e definitiva para quem não carrega em casa é a Recarga de Destino: o carregador está onde o consumidor já frequenta. Imagine fazer a recarga o carro enquanto treina na academia, faz compras no mercado, vai ao shopping ou durante o expediente de trabalho. O tempo de recarga se funde perfeitamente ao dia do motorista.

Para que isso seja viável e lucrativo para os estabelecimentos, é preciso desmistificar a crença de que o carregador ideal é sempre o mais potente. A escolha certa está ligada ao tempo de permanência do cliente:

Escritórios e Locais de Trabalho (Longa permanência): Onde as pessoas ficam 4 horas ou mais, um carregador de 7 kW (lento/AC) atende perfeitamente. Ele repõe a energia necessária de forma suave, com baixíssimo custo de infraestrutura.

Shoppings e Restaurantes (2 a 3 horas): Equipamentos de 30 kW a 40 kW são ideais. Um carregador ultrarrápido aqui seria um erro: o cliente teria que interromper sua atividade para tirar o carro da vaga em 20 minutos.

Supermercados e Academias (Aprox. 1 hora): Carregadores na faixa de 60 kW brilham, oferecendo uma carga robusta no tempo exato da atividade.

O segredo técnico e o mercado de híbridos: Além de adequar a potência para evitar obras pesadas e meses de burocracia com concessionárias, há uma estratégia inteligente de mix de produtos. Mesmo em locais com carregadores rápidos, instalar carregadores de 7 kW em conjunto é uma decisão mestre. O investimento adicional é baixíssimo e permite atender aos carros híbridos plug-in, que não aceitam carga rápida e representam uma parcela enorme da frota atual.

Vamos deixar os equipamentos ultrarrápidos para as estradas, uma vez que o comércio quer simplicidade, versatilidade para atender todos os tipos de veículos e instalação ágil.

Nova tendência de carregadores nos comércios

A expansão da mobilidade elétrica impulsiona a adoção de pontos de recarga em estabelecimentos comerciais como parte da adaptação ao novo perfil de consumo urbano. Nesse cenário, modelos de implementação vêm sendo estruturados por empresas especializadas, com foco em viabilizar a infraestrutura de recarga em diferentes tipos de pontos comerciais.

A consolidação dos veículos elétricos no ambiente urbano indica que a disponibilidade de infraestrutura de recarga tende a se tornar um fator relevante na escolha de estabelecimentos comerciais.

Nesse contexto, soluções estruturadas por empresas especializadas integram um movimento mais amplo de incorporação da mobilidade elétrica ao varejo e serviços.

Ayrton Barros – Diretor Geral da NeoCharge, empresa voltada a soluções para recarga de veículos elétricos.


Destaque – Imagem: Divulgação / +aloart / G.I.


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