Especialista aponta que falta de planejamento, falhas na escavação e fiscalização frágil explicam acidentes graves como o registrado no bairro do Jaguaré, em São Paulo.
Redação: AT & ASP News
A trágica explosão no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo — que destruiu imóveis residenciais e resultou em pelo menos duas mortes confirmadas —, acendeu um sinal de alerta sobre os perigos ocultos em obras subterrâneas realizadas próximas a redes de gás. Segundo as autoridades, o acidente aconteceu após o rompimento da tubulação durante uma intervenção na região.
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O episódio reacendeu o debate sobre o planejamento e a fiscalização de escavações em áreas urbanas. De acordo com Robson Costa, engenheiro civil e professor da Estácio, qualquer intervenção no subsolo exige um rigor técnico extremo antes mesmo de a primeira máquina entrar em campo.
O papel do mapeamento e o planejamento prévio
Para o especialista, o mapeamento detalhado da região é a linha que separa uma obra segura de uma tragédia. O conhecimento da infraestrutura invisível sob as ruas é indispensável.
“Qualquer escavação deve ser muito bem planejada, principalmente se houver redes de gás. Tudo começa com o cadastro das redes, que deve conter distâncias e profundidades das tubulações para evitar interferências durante a obra. Empresas concessionárias disponibilizam procedimentos de segurança e normas técnicas específicas que precisam ser seguidas pelas equipes responsáveis”, diz o engenheiro.
Métodos de escavação e tecnologias de prevenção
O uso de tecnologia adequada e o respeito aos métodos de escavação são determinantes para evitar o rompimento de tubulações. Robson Costa destaca o uso do georadar, um equipamento capaz de identificar redes subterrâneas antes da abertura de valas, e aponta os cuidados necessários em cada tipo de procedimento:
• Escavação aberta: A norma técnica exige que, a cada 35 centímetros de profundidade atingidos, o trabalho passe a ser feito de forma manual para evitar impactos mecânicos diretos nas tubulações.
• Método não destrutivo (furo direcional): A máquina realiza um trajeto subterrâneo que não é visível na superfície, o que eleva consideravelmente o risco de acidentes caso não haja um acompanhamento técnico altamente qualificado.
Negligência técnica e a necessidade de fiscalização
Para o professor, o acidente no Jaguaré serve como um duro reflexo de um problema estrutural que afeta diversas obras pelo país, onde as normas existentes acabam sendo ignoradas no dia a dia dos canteiros de obras.
“Falta planejamento, treinamento e fiscalização dos procedimentos e normas”, conclui Robson.
Com as informações da Estácio
Robson Costa – Engenheiro civil e professor da Estácio.
Destaque – Sempre presentes: Corpo de Bombeiros estiveram no local desde o início. Foto: Governo de SP



