Estado dobra o número de Indicações Geográficas nos últimos três anos; novas certificações impulsionam ganhos e abrem mercados para produtores paulistas.


O estado de São Paulo dobrou o número de Indicações Geográficas (IGs) reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) nos últimos três anos, saltando de 7 para 14 certificações, sendo 10 delas voltadas ao setor agropecuário. O avanço reflete o impacto de políticas públicas de valorização regional apoiadas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), que atua diretamente na orientação técnica, delimitação geográfica e certificação sanitária dos produtores.

As Indicações Geográficas atestam o vínculo entre a identidade de um produto e seu território de origem, protegendo a tradição e a reputação de iguarias como o café das montanhas paulistas, a banana do Vale do Ribeira, o mel do Vale do Paraíba e o palmito pupunha. De acordo com estudos do INPI, essa chancela oficial gera uma valorização comercial média entre 20% e 50% para os produtos certificados, ampliando a renda, a competitividade e o desenvolvimento econômico local.

Apoio técnico e novos pedidos

A expansão do programa foi impulsionada pela criação de um Grupo Técnico integrado dentro da Secretaria em 2024, unindo órgãos como a APTA (Pesquisa) e a CATI (Extensão Rural) para desburocratizar as etapas de registro das associações.

“As Indicações Geográficas representam um importante instrumento de valorização da produção rural paulista. Elas reconhecem a qualidade, a tradição e a identidade das nossas regiões produtoras, fortalecendo toda a cadeia produtiva. A Secretaria de Agricultura tem atuado diretamente nesse processo, oferecendo apoio técnico, científico e de orientação aos produtores e associações que buscam esse reconhecimento. O crescimento das IGs em São Paulo demonstra a diversificação e força do agronegócio paulista”, afirmou o secretário Geraldo Melo Filho.

Atualmente, o estado aguarda a análise do INPI para mais cinco pedidos do setor: a batata-doce de Presidente Prudente, o café e a cachaça de alambique do Circuito das Águas Paulista, o vinho de Jundiaí e o café da Cuesta Paulista, além de um estudo em andamento para a jabuticaba de Casa Branca.

Conquistas recentes no campo

As duas certificações mais recentes do agro paulista contemplaram o Mel do Vale do Paraíba e a Banana do Vale do Ribeira, garantindo rastreabilidade e reconhecimento histórico ao trabalho das comunidades locais.

Para a presidente da Câmara Setorial do Mel e produtora em Taubaté, Vanilda Santos, o selo coroa o esforço coletivo. “Mais que uma certificação, é uma conquista coletiva que reflete o esforço de toda a cadeia produtiva e consolida o mel da nossa região como um patrimônio de qualidade, tradição e orgulho para todos os produtores”, afirmou.

No Vale do Ribeira, o impacto social também foi destacado por Augusto Aranha, presidente da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (ABAVAR). “Mais do que um selo, esta é uma conquista da dedicação do nosso setor produtivo. Ele reafirma o compromisso do Vale com uma agricultura moderna, que respeita o meio ambiente e fortalece a agricultura familiar. Esse selo sintetiza tudo o que acreditamos e praticamos no campo”, disse.

Para orientar novas associações interessadas na certificação e na emissão do Instrumento Oficial de Delimitação (IOD), a Secretaria de Agricultura disponibiliza um manual de procedimentos em seu site oficial. Segundo Vivaldo Santos, líder da Comissão de Indicação Geográfica da CATI, o processo vai além do ganho comercial: “Além dessa valorização do produto, uma IG pode também dar visibilidade a determinada região ou grupo de produtores/prestadores de serviços, protegendo valores e tradições sociais e culturais”.


Destaque – “Cada região carrega tecnologia, sabores, tradições e formas de produção que fazem seus produtos serem únicos”, destaca o governo paulista. Imagem: aloart / G.I.


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