Se você perguntar para o morador da periferia, para o motorista de aplicativo ou para o comerciante que abre as portas às seis da manhã o que ele mais quer, a resposta é simples: paz para trabalhar e o direito de voltar para casa em segurança. O trabalhador não quer saber de discursos bonitos em Brasília, de gráficos coloridos ou de promessas de novos ministérios. O que o povo sente na pele é o medo de perder o celular no ponto de ônibus, de ter o WhatsApp clonado ou de ver o filho cair em uma armadilha do crime na esquina de casa.
Durante décadas de farda, comandando homens e mulheres que saem às ruas todos os dias para proteger a sociedade, aprendi uma lição que nenhuma teoria consegue mudar: o crime só cresce onde o Estado recua. E, infelizmente, o que temos visto é um recuo silencioso.
Hoje, a maior covardia que existe é tratar as facções criminosas como se fossem apenas um “problema social”. Quando o Estado usa essa desculpa para não agir com firmeza, ele abandona o cidadão de bem. O resultado está aí: o trabalhador escondendo a aliança no bolso antes de entrar no transporte público, com medo de ser assaltado por quem não teme a lei. O crime perdeu o respeito, porque percebeu que as regras do jogo ficaram frouxas.
Para resolver a segurança de verdade, o caminho não é inventar novas siglas ou criar planos que só funcionam no papel. O crime não tem medo de burocracia; ele teme a polícia na rua, a presença firme que não dá espaço para a desordem. Onde a viatura está presente, o bandido pensa duas vezes. Mas para que essa presença seja real, o Estado precisa entender que a linha de frente de combate ao crime depende de quem veste a farda.
A polícia precisa ser verdadeiramente valorizada, e valorização não se faz com tapinha nas costas; se faz com salários dignos, que deem estabilidade e justiça para quem arrisca a vida pela sociedade, e com treinamentos constantes, garantindo que o policial na ponta da linha tenha as melhores técnicas e o preparo necessário para enfrentar a criminalidade moderna com segurança e eficácia. Segurança pública de verdade se faz ocupando o espaço que pertence ao cidadão e dando condições reais para o policial trabalhar.
Onde o policiamento enfraquece por falta de apoio e estrutura, o crime assume o controle de tudo. Passa a mandar no preço do gás, na internet do bairro e até no direito das pessoas de irem e virem. Isso não é falta de dinheiro; é falta de uma doutrina clara de presença, autoridade e investimento em quem nos protege.
A população honesta está cansada de viver trancada em casa, enquanto quem comete crimes desfruta da impunidade. Um país que quer ser respeitado precisa, antes de tudo, proteger quem acorda cedo para construir a nação. Defender o povo não é uma questão de política; é uma obrigação moral. Está na hora do Estado parar de fazer discurso e voltar a garantir o básico: salários dignos para as forças policiais, treinamento de ponta, ordem, paz e o direito de cada brasileiro viver sem medo na sua própria rua.
Antônio Branco – Coronel da Reserva da Polícia Militar de São Paulo.
Destaque – Imagem: Divulgação / +aloart / G.I.



