Nova rodada do levantamento da Genial / Quaest detalha o peso de temas internacionais e pautas domésticas, como o fim da escala 6x1 e a isenção do IR, no cenário eleitoral


O debate econômico e a agenda internacional tornaram-se elementos centrais na percepção do eleitorado brasileiro. A rodada de julho de 2026 da pesquisa Genial/Quaest detalha o impacto de medidas domésticas e eventos externos na imagem do governo e da oposição, destacando a reação popular às novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A análise dessas pautas ajuda a compreender as variações recentes nos índices de aprovação e rejeição das principais lideranças políticas do país.

O impacto do “tarifaço” americano e a disputa de narrativas

A confirmação oficial das tarifas comerciais impostas pelo presidente americano Donald Trump gerou forte preocupação entre os brasileiros. De acordo com o levantamento, 79% dos eleitores acreditam que as novas tarifas vão prejudicar diretamente a sua vida.

O tema abriu uma disputa de versões entre o governo federal e a oposição. Para 46% dos entrevistados, as novas tarifas são uma retaliação americana ao sistema Pix, argumento alinhado ao discurso do presidente Lula. Por outro lado, 33% avaliam que a medida é uma resposta do governo dos Estados Unidos às declarações de Lula contra o país, tese defendida pela oposição.

A pesquisa também mediu a percepção sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos no período. Para 51% dos entrevistados, o parlamentar é apontado como um dos responsáveis pela cobrança das tarifas. Já 30% avaliam que o senador tentou demover Donald Trump da aplicação das medidas econômicas, enquanto 19% não souberam ou não responderam.

Além disso, 72% dos eleitores consideram que Trump está errado ao impor as medidas sob a justificativa de perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e 57% afirmam que o líder americano não tem o direito de criticar o processo judicial brasileiro.

Percepção da economia doméstica e programas sociais

No plano interno, a sensação de alívio com a inflação e o alcance de medidas econômicas locais ajudaram a mitigar o sentimento negativo sobre as finanças pessoais. A parcela de eleitores que aponta piora na economia nos últimos 12 meses recuou de 56% para 46%. No entanto, o otimismo em relação ao futuro apresentou oscilação: 43% preveem piora na economia nos próximos meses, enquanto 35% projetam melhora.

A pesquisa avaliou o impacto prático de duas agendas do governo federal:
○ Isenção do Imposto de Renda: Focada em quem recebe até R$ 5.000, a medida começa a ser mais percebida. O índice de quem dizia “não ver diferença” na renda caiu de 49% em abril para 39% em julho. Os que relatam aumento significativo somam 24%, e 35% afirmam que a renda aumentou um pouco.
○ Novo Desenrola: O programa de renegociação de dívidas obteve 55% de avaliações positivas (“boa ideia”), contra 21% que o classificaram como “má ideia” e 20% que acreditam que o projeto “ajuda um pouco”.

Amplo apoio ao fim da escala 6x1

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, aprovada na Câmara e em tramitação no Senado, demonstrou ter grande capilaridade junto ao público. O levantamento aponta que 75% dos eleitores afirmam ter tomado conhecimento sobre o debate da pauta.

Entre os entrevistados, 69% se declararam favoráveis à mudança na jornada de trabalho, enquanto 22% se posicionaram contra. Questionados sobre o que pretendem fazer caso a medida passe a valer permanentemente, 53% dos cidadãos responderam que pretendem passar mais tempo com a família.


Destaque – Isenção do IR também mexeu com a opinião dos eleitores. Imagem: aloart / G. I.


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