Senador do PL oscila quatro pontos para baixo em cenário de primeiro turno; rejeição ao parlamentar chega a 56% após repercussão de conversas sobre financiamento.
Os desdobramentos em torno do projeto do filme “Dark Horse” e as conversas envolvendo o Banco Master geraram reflexos diretos no desempenho eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É o que aponta a rodada de junho da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10). O parlamentar registrou uma oscilação negativa fora da margem de erro no cenário estimulado de primeiro turno, recuando de 33% para 29% das intenções de voto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, manteve o índice de 39% registrado no mês anterior, mas viu a distância numérica ampliar devido ao recuo do adversário direto. O principal fator para a movimentação dos dados ocorreu no eleitorado de perfil independente: nesse estrato de centro, Flávio Bolsonaro desidratou sete pontos percentuais, caindo de 31% para 24%, enquanto o atual mandatário oscilou positivamente de 29% para 37%.
A pesquisa mediu diretamente o impacto das revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento de “Dark Horse”. Para 65% dos entrevistados de forma geral, a conduta do senador ao buscar recursos com o executivo foi considerada um erro — percepção compartilhada inclusive por 42% da base de eleitores identificados com o bolsonarismo. O episódio ajudou a empurrar a rejeição de Flávio para o topo da lista dos presidenciáveis, com 56% de veto popular.
Divisão no eleitorado e pulverização da terceira via
Apesar da movimentação na liderança da oposição, o cenário geral continua marcado por uma forte polarização estrutural. Lula carrega uma taxa de rejeição estável de 53%, indicando que as variações atuais se concentram mais na perda de apoio de Flávio entre os moderados do que na conquista de novos nichos pelo atual governo.
As alternativas fora do espectro PT-PL continuam pulverizadas e sem alcançar os dois dígitos. O ativista Renan Santos (Missão) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparecem com 3% cada, seguidos pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB) e pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ambos com 2%. O volume de eleitores indecisos no primeiro turno saltou de 5% para 10%.
Projeções de segundo turno e avaliação do governo
Nas simulações de segundo turno, o impacto do recall negativo se repetiu. No confronto direto, o atual presidente pontua com 44% contra 38% de Flávio Bolsonaro — em maio, a distância era de apenas um ponto (42% a 41%). Frente a outros nomes da centro-direita, o chefe do Executivo mantém os mesmos 45% contra 35% de Romeu Zema e de Ronaldo Caiado.
A pesquisa também apontou estabilidade nos índices de avaliação da administração federal. O governo colhe 47% de aprovação e 48% de desaprovação, configurando empate técnico na margem de erro. Já o trabalho pessoal do presidente é visto como bom ou ótimo por 34%, regular por 26% e ruim ou péssimo por 38% dos entrevistados.
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada presencialmente entre os dias 5 e 8 de junho de 2026, com 2.004 eleitores de 120 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95% (sendo de 4 pontos percentuais no estrato de independentes). O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07661/2026.
Destaque – Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado; e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil



