Terapias inovadoras aliviam ondas de calor e melhoram a qualidade do sono em mulheres na pós-menopausa, apontam especialistas do Instituto do Sono
Dormir bem pode se tornar um desafio significativo durante a menopausa. Ondas de calor noturnas, suor excessivo, despertares frequentes e intensas alterações hormonais comprometem a qualidade de vida e o descanso de milhões de mulheres nessa fase da vida.
A dimensão e a frequência desses sintomas foram evidenciadas em uma pesquisa internacional publicada na revista científica Menopause – The Journal of The Menopause Society, que avaliou 12.268 mulheres entre 40 e 65 anos em sete países. Os dados revelam que mais de uma em cada três brasileiras na pós-menopausa relata ondas de calor moderadas ou graves. Entre as nações analisadas, o Brasil apresentou a maior prevalência dessas queixas, atingindo 36,2% das participantes.
Avanço terapêutico no controle dos sintomas vasomotores
Para ampliar as opções terapêuticas disponíveis no país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o fezolinetanto, comercializado sob o nome Veoza™️. O tratamento é a primeira opção não hormonal autorizada no Brasil para essa indicação específica, atuando em receptores cerebrais envolvidos na regulação da temperatura corporal para reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos.
Além de aliviar o desconforto térmico, a intervenção contribui para noites mais tranquilas e um descanso de melhor qualidade. “Os episódios de calor intenso e sudorese durante a noite interrompem o sono repetidas vezes. Mesmo quando a mulher consegue voltar a dormir, o sono costuma ser menos reparador, o que pode resultar em cansaço durante o dia, irritabilidade, dificuldade de concentração, prejuízo da memória e redução da produtividade”, explica Helena Hachul, ginecologista e pesquisadora do Instituto do Sono/AFIP.
Relação entre sono, ondas de calor e saúde emocional
Existe uma relação direta e bidirecional entre os sintomas vasomotores, a qualidade do descanso e o bem-estar emocional. Mulheres que enfrentam fogachos frequentes apresentam maior propensão a queixas de insônia, ansiedade e quadros depressivos.
“Quando conseguimos reduzir as ondas de calor noturnas, favorecemos a continuidade do sono e, consequentemente, a qualidade de vida dessas mulheres. Tratar os sintomas vasomotores não significa apenas aliviar os calores, mas também melhorar a qualidade do descanso e, indiretamente, reduzir irritabilidade, fadiga e piora do humor associadas à privação de sono”, afirma Hachul.
A importância da investigação integral dos distúrbios do sono
Embora o alívio das ondas de calor represente um avanço expressivo, controlar os fogachos nem sempre soluciona todos os problemas de sono. A pneumologista e pesquisadora, Luciana Palombini, também do Instituto do Sono/AFIP, alerta para a complexidade do quadro nessa fase.
“Durante a menopausa podem existir outros fatores que podem contribuir para a manutenção deste quadro, tais como, hábitos de sono inadequados e a presença de depressão. Nesta época também é comum a ocorrência de outros distúrbios de sono, como a apneia obstrutiva, que precisam ser identificados e tratados. Se as queixas persistirem, é fundamental investigar outras causas para que a paciente receba o tratamento adequado e com isso tenha um sono tranquilo e restaurador”, finaliza Palombini.
Destaque – Novo tratamento não hormonal aprovado pela Anvisa auxilia no controle de fogachos e favorece a qualidade do sono na menopausa. Imagem: aloart / G.I.



