Estudo avalia produtos agrícolas atingidos pela sobretaxa de 25%, ressalta os setores que permaneceram isentos e aponta estratégias para mitigar prejuízos na balança comercial
Um levantamento técnico elaborado pelo Instituto de Estudos do Agronegócio (IEAG), braço de inteligência da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), apresentou um raio-X completo sobre os possíveis reflexos da nova tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos. O relatório analisa os desdobramentos da medida adotada sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana, identificando as cadeias produtivas mais vulneráveis e os setores estratégicos que conseguiram preservar suas isenções.
A análise traz um panorama detalhado sobre o comércio bilateral entre as duas nações, destacando que, embora itens de peso significativo tenham ficado fora da lista de sobretaxas, diversos segmentos do agronegócio brasileiro enfrentarão desafios imediatos de competitividade no mercado norte-americano.
Produtos afetados e exceções estratégicas na pauta exportadora
De acordo com o documento da Abag e do IEAG, a manutenção de produtos de alta relevância — como o café e a carne bovina — fora da nova incidência tarifária garantiu um alívio importante para a pauta exportadora do país. A preservação desses itens evita um impacto cambial e operacional de grandes proporções em setores que possuem forte presença consolidada nos Estados Unidos.
Por outro lado, o levantamento aponta que cadeias como a de derivados de madeira, celulose, fumo, óleos vegetais, suco de laranja, etanol e frutas específicas estão entre as que exigem maior atenção. Para essas atividades, a elevação de 25% nos custos de entrada nos portos americanos pode encarecer o produto final para o comprador e abrir espaço para concorrentes de outros países que não sofrem as mesmas restrições.
Efeitos macroeconômicos e riscos para as cadeias produtivas
O estudo do IEAG ressalta que os efeitos da medida não se limitam ao aumento direto de impostos, mas afetam a previsibilidade dos contratos de longo prazo e a margem de rentabilidade dos exportadores. A elevação tarifária cria gargalos para empresas que mantêm os Estados Unidos como seu principal mercado consumidor, forçando uma readequação rápida nas estratégias de precificação e logística.
Além dos impactos diretos em cada setor, o relatório adverte para riscos secundários, como o redirecionamento de estoques para o mercado interno ou para outros destinos internacionais. Esse movimento pode pressionar os preços locais e exigir maior agilidade na abertura e ampliação de mercados alternativos na Ásia, no Oriente Médio e na América Latina.
Estratégias de mitigação e posicionamento do setor
Diante do cenário desafiador, a Abag e o IEAG reforçam a importância de utilizar a inteligência de mercado e os dados comerciais para orientar as tomadas de decisão tanto do setor privado quanto do poder público. Entre as vias recomendadas para mitigar as perdas estão o fortalecimento da diplomacia comercial, a negociação técnica direta com os órgãos reguladores americanos e o acompanhamento rigoroso das revisões da lista de produtos.
A entidade destaca que a reputação do Brasil como fornecedor sustentável, rastreável e eficiente continua sendo seu principal ativo nas negociações internacionais. O monitoramento contínuo das cadeias afetadas será decisivo para ajustar fluxos de exportação e garantir a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global.
Acesse o relatório: Análise: proposta de novas tarifas dos EUA ao agro brasileiro
Destaque – Levantamento da Abag e do IEAG mapeia os impactos do aumento tarifário dos Estados Unidos nas exportações do agro brasileiro. Imagem: aloart / G.I.



