Estudos internacionais mostram crescimento da osteoartrite após a menopausa e maior impacto em mulheres; especialista reforça necessidade de atenção aos sinais que comprometem a qualidade de vida.


A artrose, também chamada de osteoartrite, está entre as principais causas de dor crônica e limitação de movimento no mundo e tem apresentado aumento expressivo nas últimas décadas. Estudos internacionais sugerem que a prevalência global da osteoartrite tem crescido principalmente entre mulheres na pós-menopausa, ou seja, acima dos 55 anos de idade, período em que ocorrem mudanças hormonais significativas no organismo feminino.

Nesse contexto, a Zimmer Biomet ouviu o médico ortopedista Dr. Guilherme Morgado Runco para explicar a relação entre a menopausa e a saúde das articulações, assim como os sinais que não devem ser ignorados.

“O que vemos nos estudos é que, com o envelhecimento, a osteoartrite se torna mais comum e que a prevalência nesses grupos aumenta em ambos os sexos, mas a diferença entre mulheres e homens torna-se mais evidente depois dos 50 anos, período em que há uma mudança importante no perfil hormonal feminino”, afirma o especialista. Análises epidemiológicas globais reforçam esse cenário. Dados do Global Burden of Disease 2021, estudo internacional que monitora a carga de doenças em mais de 200 países, mostram que entre 1990 e 2021 houve aumento substancial na incidência e nos anos vividos com incapacidade associados à osteoartrite, com maior impacto observado em mulheres nas faixas etárias acima dos 55 anos.

Qual a relação entre menopausa e saúde das articulações

A menopausa representa uma fase de transição biológica marcada pela queda na produção de estrogênio, hormônio que não atua apenas nos sistemas reprodutivos, mas também exerce papel na regulação de processos inflamatórios e na manutenção da integridade das estruturas articulares. Revisões científicas publicadas em periódicos internacionais apontam que a deficiência de estrogênio está associada a alterações no metabolismo da cartilagem, aumento de mediadores inflamatórios e maior vulnerabilidade estrutural das articulações, embora a osteoartrite seja reconhecida como uma condição multifatorial que envolve também fatores genéticos, biomecânicos e metabólicos.

“A queda dos níveis hormonais não é a única causa da artrose, mas é um dos elementos que ajuda a explicar por que muitas mulheres começam a apresentar dor e rigidez nessa fase da vida. Por isso, entender esse contexto é fundamental para o acompanhamento adequado”, explica Dr. Guilherme.

O impacto da maior expectativa de vida feminina

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expectativa de vida no Brasil segue em trajetória de crescimento, com mulheres vivendo mais anos que homens. Em 2024, essa projeção foi estimada em 79,9 anos para mulheres e 73,3 anos para homens.

Essa diferença demográfica implica maior tempo de exposição a fatores de desgaste articular ao longo da vida, como sobrecarga mecânica e alterações metabólicas, o que pode contribuir para maior frequência de osteoartrite em idades mais avançadas.

“O fato de as mulheres viverem mais significa que elas também convivem por mais tempo com as transformações naturais do envelhecimento, incluindo aquelas que impactam diretamente a saúde das articulações”, pontua o ortopedista.

Sintomas que merecem atenção médica

Segundo Dr. Guilherme, embora o envelhecimento seja um fator de risco conhecido, algumas manifestações clínicas não devem ser consideradas apenas consequência natural da idade. Dor persistente que interfere nas atividades diárias, rigidez ao acordar ou após períodos prolongados de repouso, limitação progressiva de movimento e episódios recorrentes de inchaço ou sensação de articulação “travando” são sinais que justificam avaliação especializada.

“O diagnóstico precoce da osteoartrite possibilita intervenções que podem aliviar sintomas, retardar a progressão e preservar a mobilidade da paciente por mais tempo. Ignorar esses sinais pode atrasar o cuidado adequado e limitar as opções de tratamento”, alerta o Dr. Guilherme.

Importância do acompanhamento e opções de cuidado

Embora não exista uma cura definitiva para a osteoartrite, estratégias como fortalecimento muscular, prática de atividade física orientada, controle do peso corporal e acompanhamento médico regular são fundamentais para manter a função articular. Em estágios mais avançados, quando há comprometimento importante da qualidade de vida, podem ser indicados tratamentos especializados, incluindo procedimentos de substituição articular conforme avaliação clínica.

“O movimento é essencial para autonomia e qualidade de vida. Informar e orientar mulheres sobre os fatores que influenciam a saúde articular desde o início das mudanças hormonais pode contribuir para preservar a mobilidade ao longo dos anos”, conclui o especialista.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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