Aumento dos atendimentos acompanha a expansão dos veículos eletrificados no Brasil e evidencia a necessidade de conhecimento técnico para lidar com baterias de alta tensão, panes e procedimentos de remoção.


A expansão dos veículos elétricos e híbridos no Brasil começa a produzir mudanças também nos serviços de assistência automotiva. Entre janeiro e agosto de 2026, o número de atendimentos prestados a carros elétricos cresceu 21,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Redion, antiga Europ Assistance. O aumento acompanha a ampliação da frota e traz novos desafios para o atendimento de motoristas que utilizam esse tipo de veículo.

Em agosto, os veículos eletrificados, categoria que reúne modelos totalmente elétricos e híbridos, alcançaram participação de 24,3% nas vendas de veículos leves no país. Foram 63.709 unidades emplacadas no mês, mais que o dobro do registrado em agosto de 2025. No acumulado de 2026 até aquele mês, o segmento somava aproximadamente 367,5 mil unidades, de acordo com os dados apresentados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

A expansão também aparece nos números de julho, quando os eletrificados representaram 21,1% das vendas de veículos leves, com 56.074 unidades comercializadas. A evolução desses indicadores aponta para uma mudança gradual no perfil da frota brasileira e exige adaptações em atividades que vão além da fabricação, comercialização e manutenção dos automóveis.

Assistência exige procedimentos diferentes

Uma das diferenças está no atendimento a veículos que apresentam pane ou ficam sem energia durante o deslocamento. Ao contrário dos modelos convencionais, os carros elétricos possuem sistemas de alta tensão e, em geral, duas baterias com funções distintas: uma de baixa tensão, normalmente de 12 volts, e outra de alta voltagem, responsável pela alimentação do motor elétrico.

Quando ocorre uma pane, a identificação da origem do problema é fundamental para definir o procedimento adequado. Se a falha estiver relacionada à bateria de 12 volts, pode ser possível realizar uma recarga para permitir que o veículo volte a funcionar. Já quando o problema envolve a bateria de alta tensão ou o sistema de tração elétrica, a situação exige avaliação técnica e, conforme o caso, remoção do automóvel.

Os procedimentos de reboque também precisam considerar as características de cada modelo. A movimentação inadequada pode comprometer componentes do sistema elétrico e oferecer riscos durante o atendimento. Por isso, os profissionais envolvidos precisam conhecer os protocolos de segurança e as recomendações dos fabricantes para cada veículo.

O que o motorista deve observar

Com o aumento da circulação de veículos eletrificados, a capacidade de atendimento das empresas de assistência passa a ser um aspecto importante na contratação do serviço. Além da disponibilidade e do prazo de chegada, é necessário verificar se o contrato contempla carros elétricos e híbridos e se a estrutura de atendimento está preparada para lidar com suas particularidades.

Outro ponto é a previsão de alternativas de deslocamento quando o veículo não pode continuar a viagem. Dependendo das condições contratadas, o motorista pode ter direito a transporte por aplicativo, carro reserva ou outras modalidades de apoio.

A Redion informa que o crescimento de 21,7% nos atendimentos a veículos elétricos foi registrado entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com igual período do ano anterior. Para Rogerio Guandalini, diretor executivo comercial, marketing e produtos da empresa, a evolução da demanda reforça a necessidade de profissionais treinados e procedimentos adequados de segurança.

A tendência de ampliação desse tipo de atendimento acompanha o crescimento da frota nacional. Segundo a ABVE, o Brasil acumulava aproximadamente 950 mil veículos elétricos e híbridos em circulação desde 2012 até o final de agosto de 2026. A entidade projetava que o país alcançaria a marca de 1 milhão de unidades ainda em setembro.

Com a ampliação da frota, a assistência automotiva passa a incorporar novas exigências técnicas. Para o consumidor, isso significa que a escolha do serviço precisa considerar não apenas o atendimento emergencial, mas também a capacidade de lidar com as características específicas da tecnologia utilizada pelo veículo.

 


Destaque – A expansão dos carros elétricos e híbridos amplia a demanda por assistência especializada, especialmente em situações que envolvem baterias de alta tensão e procedimentos específicos de remoção. Imagem: aloart / G. I.