A capital paulista alcançou 2.009 ônibus elétricos em circulação no transporte público após a entrega de 250 novos veículos; frota já representa mais de 80% dos coletivos elétricos do país.
São Paulo atingiu nesta quarta-feira (30) a marca de 2.009 ônibus elétricos em operação no transporte público municipal. O número foi alcançado com a entrega de 250 novos veículos, dos quais 49 são articulados, em cerimônia realizada na região de Santana, na Zona Norte. Segundo a Prefeitura, a capital concentra mais de 80% da frota de ônibus elétricos em circulação no Brasil e mantém a maior operação do país.
Do total atualmente em circulação, 1.821 são ônibus movidos a bateria e 188 são trólebus. A expansão da frota elétrica ocorre em um processo de substituição gradual dos veículos a diesel, com impactos esperados sobre o consumo de combustíveis fósseis e as emissões associadas ao transporte coletivo.
A legislação municipal estabelece desde 2018 a redução progressiva das emissões de dióxido de carbono de origem fóssil e de poluentes tóxicos produzidos pela operação dos ônibus da cidade, com a adoção gradual de combustíveis e tecnologias mais sustentáveis.
Frota elétrica reduz consumo de diesel
De acordo com a SPTrans, os 2.009 ônibus elétricos em operação permitem evitar o consumo anual de aproximadamente 70 milhões de litros de óleo diesel e a emissão de 174 mil toneladas de CO₂. A Prefeitura estima que a redução das emissões corresponda, em termos de absorção de carbono, ao plantio de cerca de 13 milhões de árvores.
Durante a entrega, o prefeito Ricardo Nunes destacou o impacto da substituição dos veículos a diesel. “Passar a marca de 2 mil ônibus elétricos representa deixar de consumir 70 milhões de litros de óleo diesel por ano. Deixaremos de emitir 174 mil toneladas de CO²”, afirmou.
A Prefeitura também aponta uma diferença significativa nos custos de energia da operação. Segundo Nunes, o gasto médio mensal com combustível de um ônibus a diesel é de aproximadamente R$ 25 mil, enquanto a despesa com eletricidade fica em torno de R$ 5 mil por veículo. A diferença estimada é de R$ 20 mil mensais, ou R$ 240 mil por ano por ônibus.
Investimento de R$ 547,7 milhões
Os 250 veículos entregues nesta quarta-feira foram adquiridos com investimento de R$ 547,7 milhões, financiado integralmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A operação foi realizada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e pela SPTrans.
A eletrificação também exige a ampliação da infraestrutura de recarga. Segundo o secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Caldeira, a cidade já conta com 30 áreas destinadas ao carregamento dos ônibus e trabalha na estrutura necessária para acompanhar a expansão da frota.
Caldeira também destacou o modelo de subvenção utilizado pelo município para viabilizar a aquisição dos veículos elétricos. A Prefeitura informa que esse mecanismo busca compensar parte da diferença de preço entre ônibus convencionais e elétricos, dentro das condições estabelecidas para o sistema municipal.
São Paulo amplia presença no cenário internacional
Com os novos veículos, a Prefeitura afirma que São Paulo passou a ter uma frota elétrica maior do que a soma das operações de ônibus elétricos de Nova York, Madri, Roma, Berlim, Los Angeles, Chicago e Lisboa. Na América Latina, a capital paulista fica atrás apenas da soma das frotas das cidades chilenas, segundo a comparação apresentada pelo município.
O avanço ocorre após uma forte aceleração da eletrificação em 2026. Em março, a cidade tinha 1.259 ônibus elétricos; em junho, uma nova entrega de 500 veículos elevou o total para 1.759. Com os 250 ônibus apresentados em setembro, a frota chegou aos atuais 2.009 coletivos.
Durante a cerimônia, Nunes recebeu uma homenagem do C40, rede internacional que reúne grandes cidades empenhadas em ações de enfrentamento às mudanças climáticas. A entidade destacou iniciativas relacionadas à eletrificação, empregos verdes e instrumentos de planejamento climático adotados pela administração municipal.
O prefeito também citou a parceria com o programa Zebra, iniciativa internacional voltada à aceleração da eletrificação das frotas de ônibus na América Latina. Segundo ele, a cooperação contribuiu para identificar necessidades relacionadas ao clima e à saúde pública e para estruturar mecanismos financeiros destinados à renovação da frota.
Destaque – São Paulo alcança a marca de 2.000 ônibus elétricos em operação. Imagem: Sergio Barzaghi / Prefeitura de SP



