Pesquisa Viver nas Cidades 2026 mostra como o custo das passagens limita atividades cotidianas e aponta as condições para a discussão sobre tarifa zero.
O transporte coletivo mantém papel relevante na mobilidade de São Paulo. Segundo o levantamento, 29% dos entrevistados da capital apontaram o ônibus como meio de transporte utilizado, enquanto o metrô foi citado por 16%, o carro por 20%, o deslocamento a pé por 10%, o trem por 6% e os aplicativos de transporte por 5%.
Apesar da presença de diferentes alternativas, a duração dos trajetos permanece como um dos principais desafios. O aumento da média diária para 2h07 indica que o tempo consumido pela mobilidade continua sendo um fator importante na rotina dos moradores.
A pesquisa também investigou as dificuldades enfrentadas pelos usuários do transporte coletivo e as prioridades para melhorar o serviço. No conjunto das capitais avaliadas, os resultados apontam demandas por viagens mais rápidas, menor tempo de espera e redução da lotação. Essas conclusões ajudam a contextualizar o debate, embora não devam ser interpretadas como indicadores exclusivos de São Paulo.
Custo das passagens limita atividades cotidianas
O preço do transporte também interfere na possibilidade de aproveitar a cidade. Entre os usuários de ônibus, BRT ou MOVE em São Paulo, 66% afirmaram que deixam de visitar amigos ou familiares que moram em outros bairros sempre ou às vezes por causa do custo das passagens. Em 2025, eram 60%.
Nas atividades de lazer, como ir a parques e cinemas, o percentual chegou a 60%, ante 56% no ano anterior. Já 54% disseram deixar de ir a consultas médicas ou realizar exames devido ao preço do transporte, frente a 50% em 2025.
Os dados mostram que o custo da mobilidade pode restringir não apenas os deslocamentos para o trabalho, mas também a convivência social, o lazer e o acesso à saúde. Nesse contexto, o transporte urbano tem impacto direto sobre as possibilidades de participação na vida da cidade.
A pesquisa também consultou os entrevistados sobre a tarifa zero. Em São Paulo, 25% consideraram que a gratuidade poderia ser positiva, desde que houvesse melhorias na qualidade e na frequência do serviço. Outros 20% associaram a medida à ampliação do acesso ao transporte público e à redução da exclusão social.
Pesquisa retrata desafios além do tempo de viagem
A pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana 2026 entrevistou 3.500 internautas com 16 anos ou mais, moradores havia pelo menos dois anos nas dez capitais estudadas. As entrevistas foram realizadas pela internet, em painel, entre 1º e 20 de julho de 2026. São Paulo contou com uma amostra de 700 participantes.
Os resultados indicam que os desafios da mobilidade paulistana não se resumem à duração dos trajetos. O aumento do tempo médio de deslocamento e as limitações impostas pelo preço das passagens apontam para diferentes aspectos da experiência cotidiana de circular pela cidade.
Os dados oferecem um retrato das percepções e dificuldades relatadas pelos moradores e ajudam a dimensionar questões que envolvem transporte, acesso aos serviços e uso dos espaços públicos.
Destaque – Destaque – Custo das passagens leva moradores a limitar visitas, atividades de lazer e consultas médicas. Imagem: aloart / G. I.




