Cigarrinhas, lagartas e carrapatos comprometem a oferta de forragem e o desempenho dos rebanhos; monitoramento e manejo integrado ajudam a reduzir perdas.


A pressão de pragas sobre pastagens e rebanhos representa um desafio para a pecuária brasileira. Cigarrinhas-das-pastagens e lagartas prejudicam a formação e a produtividade das áreas de forragem, enquanto o carrapato-do-boi afeta diretamente a saúde dos animais. O controle exige atenção também ao ambiente, já que grande parte do ciclo de vida do parasita ocorre fora do hospedeiro.

Quando não são combatidas no momento adequado, essas pragas podem reduzir a oferta de alimento, a capacidade de lotação dos pastos e o ganho de peso dos animais, além de elevar os custos de produção.

Segundo o engenheiro agrônomo Gustavo Corsini, o monitoramento e a identificação precoce das infestações são fundamentais para definir as estratégias de controle, considerando as características de cada propriedade.

Cigarrinhas podem reduzir em até 70% a oferta de forragem

Entre as principais ameaças está a cigarrinha-das-pastagens, especialmente espécies do gênero Mahanarva. Ao se alimentar da seiva das gramíneas, o inseto provoca amarelecimento e secagem das folhas, comprometendo a produção de biomassa.

Estudos indicam que infestações severas podem reduzir em até 70% a disponibilidade de forragem. A consequência é menos alimento para o rebanho, menor capacidade de lotação por hectare e maior necessidade de suplementação.

O problema merece atenção durante o período chuvoso, quando as condições favorecem a proliferação do inseto, justamente na época em que o produtor espera maior crescimento das pastagens.

 

Lagartas podem comprometer a formação dos pastos em poucos dias. Foto: IHARA

 

Lagartas podem destruir áreas de forragem rapidamente

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), também conhecida como lagarta-militar, é outra praga que pode comprometer as pastagens, especialmente em áreas próximas às lavouras.

As fêmeas podem depositar entre 300 e 1.000 ovos, favorecendo o crescimento rápido das infestações. As lagartas inicialmente raspam as folhas e, conforme se desenvolvem, passam a consumir o tecido vegetal, podendo comprometer grande parte da área foliar.

Dados técnicos apontam que cada lagarta consome, em média, 140 cm² de folhas de capim durante seu desenvolvimento. Cerca de 85% desse consumo ocorre nos dois últimos estágios larvais, o que torna o monitoramento precoce importante para evitar danos maiores.

Carrapato-do-boi também exige controle nas pastagens

O carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) provoca prejuízos estimados em R$ 15 bilhões por ano à pecuária brasileira. Além de afetar o desempenho dos animais e a produção de leite, eleva os gastos veterinários e pode transmitir agentes causadores da Tristeza Parasitária Bovina.

O controle é dificultado pelo fato de que aproximadamente 95% do ciclo de vida do parasita ocorre fora do animal. As fêmeas depositam os ovos no ambiente e as larvas permanecem na vegetação à espera de hospedeiros. Por isso, o tratamento exclusivo do rebanho pode não ser suficiente para interromper a reinfestação.

 

Carrapato-do-boi: maior parte dos indivíduos estão na pastagem. Foto: IHARA

 

Manejo preventivo ajuda a reduzir perdas

O controle das pragas depende de monitoramento constante, identificação dos focos e escolha adequada das medidas de intervenção. A estratégia também deve considerar a integração entre pastagens e lavouras, as condições climáticas e a dinâmica das populações de insetos.

A utilização de forrageiras tolerantes, a diversificação das pastagens e o manejo dos piquetes são medidas que contribuem para reduzir infestações. Inseticidas registrados também podem integrar o manejo, desde que aplicados conforme as recomendações técnicas e de bula.

Com mais de 60 anos, a IHARA — empresa de pesquisa e desenvolvimento — apresenta o inseticida Zeus como alternativa para o controle da lagarta-do-cartucho e da cigarrinha-das-pastagens, com ação sobre as pragas e contribuição para a manutenção da massa de forragem. A empresa também informa eficácia de até 90% na redução da população de larvas do carrapato-do-boi com uma aplicação direcionada à vegetação.

Em ensaios realizados durante dois anos, segundo Thiago Trento, consultor da Fundação MT, o produto apresentou eficácia superior a 95%. O manejo ambiental busca reduzir a presença do parasita nas pastagens e ampliar o intervalo entre aplicações.

Para Corsini, a proteção das pastagens e o controle das pragas que atingem os animais devem ser considerados conjuntamente, como parte do planejamento da atividade pecuária.


Destaque – Cigarrinha pode reduzir em até 70% a disponibilidade de forragem. Foto: IHARA