Levantamento da entidade mostra atuação das DDMs em 2025 e aponta 95,8 mil medidas protetivas solicitadas à Justiça no período.
As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) da Polícia Civil de São Paulo realizaram, em média, 39 prisões em flagrante por dia em 2025, segundo levantamento do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp). Os dados, obtidos pela entidade por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), também apontam que as unidades solicitaram à Justiça 95.798 medidas protetivas de urgência para mulheres sob risco ao longo do ano, uma média de 262 por dia. O levantamento reúne informações oficiais da Polícia Civil e inclui ainda dados de janeiro a agosto de 2026.
Segundo o Sindpesp, as DDMs registraram 183.904 boletins de ocorrência em 2025, o equivalente a 503 por dia, e instauraram 120.733 inquéritos policiais. No período, foram contabilizadas 14.255 prisões em flagrante, além de 1.075 prisões cautelares e 297 classificadas pela entidade como demais prisões. De janeiro a agosto de 2026, as unidades já registraram 118.012 boletins de ocorrência, instauraram 77.316 inquéritos e realizaram 2.882 prisões em flagrante.
Sindpesp cobra estrutura e valorização dos policiais
Para o sindicato, os números mostram a dimensão da demanda recebida pelas delegacias especializadas e reforçam a necessidade de ampliar recursos humanos e estrutura. Até agosto, o Estado contava, segundo a entidade, com 144 DDMs físicas, sendo 20 com funcionamento ininterrupto, além de 235 salas 24 horas com atendimento virtual.
A presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares, afirma que os dados também indicam a importância das unidades para mulheres que procuram atendimento após situações de violência. “Os números são impressionantes e provam a importância da Polícia Judiciária para a sociedade, e, em especial, às mulheres, ainda mais diante da escalada de crimes como o feminicídio. As DDMs não somente oferecem acolhimento às vítimas como garantem respostas firmes contra os criminosos. Portanto, é preciso valorizar cada vez mais os profissionais que trabalham nessas unidades, com dedicação e coragem e, muitas vezes, em situações adversas”, defende.
O sindicato também questiona propostas de ampliação do funcionamento 24 horas das DDMs quando não acompanhadas, segundo a entidade, de medidas para reforçar o efetivo e a estrutura. Para Jacqueline, a expansão precisa considerar as condições de trabalho dos policiais e a capacidade de atendimento das unidades.
“Consideramos importante medidas que venham para somar na luta contra a violência doméstica e familiar, mas não basta abrir delegacias 24h, e de forma açodada. É preciso que haja condições para que o atendimento seja, de fato, prestado com a qualidade e o acolhimento necessários às vítimas, e com condições dignas de trabalho aos policiais civis”, assevera.
Os dados apresentados pelo Sindpesp mostram ainda que, somados 2025 e os oito primeiros meses de 2026, as DDMs registraram 301.916 boletins de ocorrência, instauraram 198.049 inquéritos e contabilizaram 17.137 prisões em flagrante. No mesmo intervalo, foram solicitadas à Justiça 132.500 medidas protetivas de urgência, segundo o levantamento.
Destaque – DDMs de São Paulo registraram mais de 183 mil boletins de ocorrência e 14,2 mil prisões em flagrante em 2025, segundo o Sindpesp. Imagem: aloart / IA image



