Novo batalhão da PM começou a atuar em setembro com 250 policiais e 150 motocicletas para concentrar equipes em áreas com maior número de roubos e furtos
A Polícia Militar de São Paulo passou a contar com uma nova unidade voltada ao reforço do policiamento ostensivo em áreas com maior concentração de roubos e furtos. O Batalhão de Resposta Avançada Operacional (BRAvO) começou a atuar em 22 de setembro, utilizando inteligência policial e motocicletas para deslocar equipes com maior rapidez pelos corredores urbanos.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, nos primeiros sete dias foram abordadas mais de 3,1 mil pessoas e fiscalizados 1.659 veículos. No período, 34 pessoas foram presas, sendo oito procuradas pela Justiça. Também foram recuperados três veículos e apreendidos cinco celulares, drogas e R$ 5,2 mil.
O batalhão reúne 250 policiais e trabalha diariamente com 150 motocicletas. A distribuição das equipes é definida a partir de indicadores criminais, mapas de ocorrências e informações do sistema Muralha Paulista, buscando concentrar o efetivo nos locais e horários em que os dados apontam maior necessidade.
Mais presença onde os crimes acontecem
A proposta chama atenção por reforçar uma função básica do policiamento: estar presente nos locais onde determinados crimes estão ocorrendo. O modelo considera principalmente roubos e furtos em vias públicas, roubos e furtos de veículos e ocorrências envolvendo quebra de vidros de automóveis.
As motocicletas permitem maior mobilidade em congestionamentos, corredores de grande circulação, ruas estreitas e áreas onde viaturas convencionais enfrentam mais dificuldades de deslocamento.
O BRAvO não substitui o policiamento territorial nem outras modalidades da PM. A ideia é acrescentar uma força móvel que possa ser deslocada rapidamente conforme a dinâmica das ocorrências.
A estratégia também pode ser aplicada em regiões comerciais e corredores urbanos, onde crimes patrimoniais de menor gravidade relativa, mas com grande impacto sobre moradores, trabalhadores e comerciantes, costumam afetar a sensação de segurança.
Inteligência orienta o deslocamento
Os dados utilizados pelo BRAvO incluem informações produzidas pelo sistema Muralha Paulista, que reúne imagens e registros para identificar concentrações de ocorrências. A Secretaria da Segurança Pública informa que o programa conta com 125,5 mil sensores e câmeras no Estado.
A utilização desses dados permite alterar a concentração das equipes conforme a movimentação dos crimes, em vez de manter o efetivo necessariamente fixo em uma única região.
Na primeira semana, as operações ocorreram em áreas das regiões Central e Sul da capital. A proposta é que o batalhão continue sendo empregado conforme os indicadores criminais e o planejamento operacional da PM.
Uma nova ferramenta, não uma solução isolada
O BRAvO incorpora características de unidades como ROCAM, BAEP e Força Tática, com equipes que podem ser formadas de maneira modular para diferentes missões. Os policiais recebem treinamento específico para pilotagem, abordagens e emprego proporcional da força e utilizam Câmeras Corporais Operacionais.
A criação da unidade representa uma tentativa de tornar o policiamento de rua mais móvel e orientado por dados. Seu resultado, porém, dependerá da capacidade de manter presença contínua nos pontos críticos e de medir se essa presença efetivamente reduz roubos, furtos e outros delitos nas áreas atendidas.
Para além do combate ao crime organizado e às grandes operações policiais, a segurança cotidiana também depende de respostas aos delitos que afetam diretamente a população no comércio, nas ruas e no transporte. É nesse espaço que o desempenho do novo modelo deverá ser acompanhado.
Destaque – BRAvO utiliza motocicletas e dados de ocorrências para reforçar o policiamento em áreas com maior concentração de roubos e furtos. Foto: Divulgação/Governo de SP.




