CNC projeta alta de 1,8% nas vendas em relação a 2025, mas juros elevados, endividamento e preços dos presentes limitam avanço do consumo
As vendas do varejo brasileiro para o Dia das Crianças de 2026 devem movimentar R$ 9,27 bilhões, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa crescimento de 1,8% em relação aos R$ 9,11 bilhões registrados na mesma data de 2025 e mantém a celebração como a quarta principal data sazonal do calendário do comércio.
O segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, que concentra a comercialização de brinquedos, deverá liderar as vendas, com participação de 39% e faturamento estimado em R$ 3,62 bilhões. Em seguida aparecem hiper e supermercados, com 28%, equivalentes a R$ 2,63 bilhões, e vestuário e acessórios, que devem movimentar R$ 1,35 bilhão, ou 15% do total.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário de crédito e endividamento das famílias ainda exige cautela, embora haja perspectivas de melhora para o comércio nos próximos meses.
“Entramos na reta final do ano, um período tradicionalmente importante para o comércio e o turismo. Embora o ambiente ainda exija cautela de empresários e consumidores, a trajetória de redução da taxa de juros, mesmo que tardia, fortalece a confiança em condições mais favoráveis para o crescimento, o investimento e a geração de empregos. A expectativa é que o Dia das Crianças impulsione bons resultados para as empresas e contribua para dinamizar a economia, criando um ambiente mais propício neste último trimestre”, avalia Tadros.
Juros e endividamento limitam o consumo
Apesar da previsão de crescimento e do desempenho ainda favorável do mercado de trabalho, o consumo encontra obstáculos no custo do crédito. Segundo a CNC, a taxa média cobrada dos consumidores chegou a 61,7% ao ano, maior patamar para os meses de agosto desde 2016.
O endividamento das famílias também permanece elevado. A parcela de famílias endividadas alcançou 82%, o maior nível da série histórica da pesquisa da CNC, iniciada em 2010. O levantamento aponta ainda que 29,9% das famílias possuem contas em atraso.
No crédito às pessoas físicas, a taxa de inadimplência chegou a 8,01%, maior nível da série iniciada em 2011. Para a CNC, a flexibilização ainda lenta da política monetária deve manter a desaceleração do consumo de bens financiáveis durante a segunda metade do ano.
“Este movimento aponta a manutenção de uma tendência que vemos há alguns anos no varejo: um crescimento baixo, sustentado pelo bom índice de população empregada e aumento da massa real de rendimentos e sufocado pela alta taxa de juros e o custo restritivo do crédito”, afirma o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
Presentes ficam mais caros
A inflação também pesa sobre as compras para a data. A cesta formada por 11 grupos de bens e serviços relacionados ao Dia das Crianças apresenta alta média de 6,7% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar de representar desaceleração em relação aos 8,9% registrados no ano passado, os preços de alguns produtos apresentam aumentos superiores à média.
Os chocolates lideram as altas, com aumento de 19,3%, seguidos por videogames, com 11,2%, lanches, com 8%, e brinquedos, com 7,1%.
O vestuário aparece entre as alternativas com menor pressão de preços. As roupas devem apresentar variação próxima de 4%, segundo a estimativa da CNC.
A combinação entre emprego, renda e custo do crédito deve definir o ritmo das compras neste Dia das Crianças. A projeção de R$ 9,27 bilhões mostra um mercado ainda relevante para o varejo, mas com crescimento limitado diante do nível de endividamento das famílias e dos juros elevados.
Destaque – Varejo deve movimentar R$ 9,27 bilhões com as vendas do Dia das Crianças em 2026. Imagem: aloart / G. I. / IA image



