Índices de indústria, serviços, comércio e construção caíram no mês; confiança empresarial teve terceira queda seguida e consumidores registraram o quinto recuo consecutivo

A confiança perdeu força em setembro entre empresas e consumidores, segundo a síntese das sondagens divulgada pelo FGV IBRE. Os quatro setores acompanhados pela instituição — indústria, serviços, comércio e construção — registraram queda no mês, movimento que levou a uma nova redução do Índice de Confiança Empresarial (ICE). Entre os consumidores, a confiança também recuou, enquanto o Indicador de Incerteza da Economia apresentou uma redução moderada, mas permaneceu em nível elevado.

Na indústria, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 2,4 pontos em setembro, para 91,3 pontos. Considerando as médias móveis trimestrais, o indicador recuou 2,9 pontos, para 94,1 pontos. Foi o terceiro mês consecutivo de queda da confiança industrial.

No setor de serviços, o recuo foi de 0,9 ponto, levando o Índice de Confiança de Serviços (ICS) a 88,1 pontos. Na média móvel trimestral, o indicador também caiu 0,9 ponto, para 88,3 pontos, retomando uma trajetória descendente.

O comércio apresentou a maior retração entre os quatro setores. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) caiu 2,9 pontos, para 81,3 pontos. O resultado levou o indicador ao menor nível desde março de 2021, quando havia marcado 74,3 pontos. Nas médias móveis trimestrais, a queda foi de 1,2 ponto, para 83,7 pontos.

Na construção, o Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou 1,4 ponto, para 90,5 pontos. A média móvel trimestral caiu 0,4 ponto, para 91,6 pontos. Segundo o FGV IBRE, o resultado reforça a trajetória de queda observada nos últimos meses e indica maior cautela das empresas em relação à demanda futura.

Confiança empresarial mantém trajetória de queda

O movimento dos quatro setores se refletiu no Índice de Confiança Empresarial (ICE), que caiu 1,2 ponto em setembro, para 89,3 pontos. Foi a terceira queda consecutiva do indicador. Na média móvel trimestral, o ICE também recuou 1,2 ponto, mantendo uma trajetória declinante.

A pesquisa mostra, portanto, que a perda de confiança não ficou concentrada em uma única atividade. Indústria, serviços, comércio e construção terminaram setembro com avaliações menos favoráveis, contribuindo para um ambiente empresarial mais cauteloso.

Entre os fatores que limitam a melhoria dos negócios, a apresentação do FGV IBRE acompanha itens como demanda insuficiente, escassez de mão de obra qualificada, acesso ao crédito bancário, custos de matérias-primas e de mão de obra, limitações financeiras e competição no próprio setor.

Consumidor também demonstra maior cautela

A confiança do consumidor acompanhou o movimento negativo. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 0,5 ponto em setembro, para 84,2 pontos, atingindo o menor nível desde novembro de 2022. Foi a quinta queda consecutiva.

O resultado foi determinado principalmente pela piora das expectativas, apesar de uma ligeira melhora na avaliação dos consumidores sobre a situação atual. O comportamento sugere que a percepção sobre o presente não foi suficiente para compensar uma visão mais cautelosa em relação aos próximos meses.

Incerteza diminui, mas continua elevada

Em sentido diferente dos índices de confiança, o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) caiu 0,9 ponto em setembro, para 110,8 pontos. Nas médias móveis trimestrais, o recuo foi de 0,2 ponto, para 110,6 pontos.

A redução, entretanto, não representa uma mudança completa do ambiente econômico. O próprio FGV IBRE destaca que a incerteza permanece elevada. A melhora registrada em setembro foi influenciada pelo componente de expectativas, enquanto o componente de mídia permaneceu em patamar elevado.

O conjunto dos indicadores de setembro desenha, assim, um cenário de maior cautela. A queda da incerteza veio acompanhada de redução da confiança de empresas e consumidores, indicando que a percepção sobre as condições atuais e, principalmente, sobre as perspectivas futuras continua sendo um ponto de atenção para a atividade econômica.


Destaque – Confiança recuou em setembro nos quatro setores pesquisados pelo FGV IBRE. Imagem: aloart / G. I.


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