Relatório Cenário Econômico aponta que estímulos do governo e mercado de trabalho sustentam a atividade interna, apesar de juros altos e tarifas dos EUA.
A economia brasileira segue em trajetória de crescimento moderado, impulsionada por medidas de estímulo à demanda interna e pela resiliência do mercado de trabalho. No entanto, o avanço do País enfrenta pressões crescentes vindas do exterior e desafios fiscais domésticos. É o que aponta a edição de julho do relatório Cenário Econômico, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A entidade manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,9% para 2026, prevendo uma desaceleração para 1,1% em 2027.
Fatores que sustentam e travam a economia doméstica
Pelo lado positivo, programas governamentais como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, Novo Desenrola, Reforma Casa Brasil e o fortalecimento do Minha Casa, Minha Vida têm mantido o consumo das famílias em alta — com estimativa de avanço de 0,7% no segundo trimestre.
• Em contrapartida, a atividade econômica enfrenta “freios” estruturais importantes:
• Juros e inflação: a taxa Selic deve encerrar o ano em 14% ao ano. Já a projeção do IPCA para 2026 subiu para 5,15%, puxada fortemente pela alta dos alimentos no domicílio (estimada em 6,69%);
• Endividamento: o comprometimento de renda das famílias e o endividamento continuam nos maiores patamares da série histórica iniciada em 2005;
• Desempenho industrial: após quatro meses de alta, a produção industrial recuou 0,2% em maio, embora ainda acumule saldo positivo de 1,4% no ano;
• Contas públicas: a dívida bruta do governo geral, que fechou maio em 81% do PIB, deve alcançar 83,3% até o fim de 2026.
Cenário externo adverso e novas tarifas americanas
No plano internacional, a Fiesp destaca a escalada de conflitos geopolíticos e o bloqueio no Estreito de Hormuz no Oriente Médio, que voltaram a pressionar a cotação do petróleo próximo a US$ 85 por barril e a elevar os custos de frete marítimo.
Outro ponto de atenção para a indústria nacional é a entrada em vigor, a partir de 22 de julho, da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Embora itens essenciais como petróleo e café tenham ficado de fora das sanções, a medida impacta diretamente a exportação de bens de capital e manufaturados.
Para conferir a análise detalhada, os gráficos e todos os indicadores do levantamento, acesse o documento na íntegra: Download do Relatório Mensal de Julho – Fiesp (PDF).
Destaque – Fiesp mantém projeção de crescimento do PIB para 2026. Imagem: aloart / G.I.



