Durante o lançamento de suas propostas de segurança em São Paulo, o pré-candidato à Presidência celebrou a ação da PF e cobrou o avanço da CPI do Banco Master.


A deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero reverberou imediatamente na corrida presidencial de 2026. O senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), utilizou suas redes sociais e palanque político para explorar o desgaste do governo federal após a Polícia Federal (PF) mirar o líder governista Jaques Wagner (PT-BA).

Em evento realizado na Avenida Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, ao lado de aliados como o ex-juiz Sergio Moro e o ex-secretário de segurança Guilherme Derrite, o parlamentar adotou um tom incisivo e associou a investigação diretamente à cúpula do partido rival.

Declaração na íntegra e ataque ao palanque baiano

Ao comentar o desdobramento policial que resultou na apreensão de milhares de dólares e euros em endereços de Jaques Wagner, Flávio Bolsonaro foi taxativo sobre o impacto do episódio no principal reduto eleitoral do PT no Nordeste:

“O PT da Bahia acaba de ser implodido por uma operação da PF contra o líder do governo do PT no Senado.”

O pré-candidato aproveitou o momento em que apresentava seu pacote de 12 medidas nacionais para a área de segurança pública para ironizar a coincidência das agendas. “Como eu disse, este plano é uma péssima notícia para o PCC, o Comando Vermelho e o PT. Vamos redirecionar drasticamente o combate à violência”, emendou.

O embate de narrativas no Caso Master

A reação de Flávio Bolsonaro faz parte de uma intensa guerra de narrativas nos bastidores do Congresso Nacional. Enquanto a oposição tenta capitalizar os indícios que ligam líderes petistas a fraudes no extinto Banco Master, a base governista reage e tenta empurrar o escândalo de volta para o colo do clã Bolsonaro.

A acusação de Flávio: O senador sustenta que o PT atuou ativamente nos bastidores para abafar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o ecossistema financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro.

A contraofensiva do PT: Por outro lado, a bancada governista e o presidente do PT na Bahia, Tassio Brito, saíram em defesa de Wagner e cobram que a PF aprofunde as apurações sobre supostos repasses e diálogos de Vorcaro que fariam menção direta a Flávio Bolsonaro e aliados da gestão anterior.

Pressão por investigação sem blindagem

Em vídeos publicados em suas plataformas digitais, o senador do PL cobrou celeridade dos órgãos de controle e reforçou a necessidade de que o parlamento não promova acordos políticos para abafar o caso, independentemente de quem sejam os alvos.

“Agora o que o Brasil espera é que tudo seja apurado até o fim, sem blindagem, sem acordão, sem proteção política. E o Congresso Nacional tem obrigação de fazer a sua parte. É por isso que a CPI do Banco Master precisa sair do papel. O povo brasileiro merece saber toda a verdade”, concluiu o parlamentar.


Destaque – Flávio Bolsonaro e apoiadores no Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional em maio: “PT da Bahia foi implodido”, fustigou ontem (18), após operação da PF.  Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


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