Levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis e da Rede Nossa São Paulo aponta disparidades profundas nos indicadores de longevidade, infraestrutura e serviços públicos na capital.
A disparidade socioeconômica entre as diferentes regiões de São Paulo continua a determinar as condições de vida e o acesso a serviços básicos na capital paulista. É o que aponta o Mapa da Desigualdade 2025, relatório anual elaborado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Rede Nossa São Paulo. O estudo mapeia indicadores oficiais nos 96 distritos do município.
Os dados demonstram que, a despeito do volume de arrecadação municipal, a distância entre os bairros centrais e as regiões periféricas permanece acentuada, com reflexos diretos na oferta de equipamentos públicos e no indicador de idade média ao morrer.
Disparidade na longevidade: variação na idade média ao morrer chega a duas décadas
O indicador de longevidade reflete a assimetria entre as regiões da cidade. Em distritos localizados na Zona Oeste e em áreas consolidadas, como Alto de Pinheiros, Moema e Jardins, a idade média ao morrer ultrapassa os 80 anos. Em contrapartida, em localidades periféricas das Zonas Leste e Norte, como Cidade Tiradentes, Lajeado e Brasilândia, o indicador situa-se entre 62 e 64 anos.
A diferença média na expectativa de vida entre os extremos do município chega a 20 anos. O levantamento aponta ainda que, em 41 dos 96 distritos paulistanos, a idade média ao morrer não atinge os 70 anos.
Panorama dos distritos: indicadores gerais de desenvolvimento humano
Ao consolidar dados relativos a saúde, educação, infraestrutura urbana, mobilidade e segurança, o estudo estabelece uma ordenação do nível de atendimento público nos distritos:
• Distritos com melhores índices: Consolação (1º lugar), Moema (2º) e Alto de Pinheiros (3º), caracterizados pela ampla cobertura de serviços urbanos e infraestrutura de transporte.
• Distritos com menores índices: Vila Medeiros (94º), Cidade Ademar (95º) e Brasilândia (96º lugar, ocupando a última posição do ranking pelo segundo ano consecutivo).
Indicadores de cultura, mobilidade urbana e saúde materna
O estudo documenta disparidades semelhantes na distribuição de equipamentos sociais e no tempo gasto em deslocamentos diários:
• Equipamentos culturais: O relatório registra que 24 distritos da capital não dispõem de equipamentos públicos de cultura, como teatros, centros culturais ou bibliotecas públicas, concentrando tais estruturas majoritariamente no centro expandido.
• Mobilidade urbana: O tempo médio de viagem no horário de pico da manhã para residentes do centro e da Zona Oeste situa-se em torno de 25 minutos. Já em distritos do extremo sul, como Marsilac e Parelheiros, a duração média do trajeto ultrapassa 70 minutos por viagem.
• Saúde materna: A proporção de nascidos vivos de mães com até 19 anos apresenta variação acentuada entre as regiões: no distrito do Jardim Paulista o índice é de 0,14%, enquanto em Cidade Tiradentes a taxa atinge aproximadamente 11%.

Acima, os dez distritos com as melhores e as piores pontuações na avaliação do Mapa da Desigualdade de 2024, levantamento divulgado no final do ano passado que retrata o cenário mais recente do indicador na capital paulista. Imagem: Rede Nossa São Paulo
Destaque – Mapa da Desigualdade 2025 revela uma diferença de até 20 anos na idade média ao morrer entre moradores de bairros centrais e de regiões periféricas da capital paulista. Imagem – aloart / G. I.



