Com um espelho quatro vezes mais leve que o do Hubble e posicionado no Ponto Lagrange L2, novo observatório da NASA otimiza a captação de dados em infravermelho.


Para observar o Universo em infravermelho e capturar detalhes de galáxias situadas a bilhões de anos-luz, não basta apenas ter lentes potentes: é preciso garantir que o próprio calor do telescópio não interfira nas medições. É exatamente essa a premissa de engenharia do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA.

Embora possua um espelho primário de 2,4 metros de diâmetro — rigorosamente o mesmo tamanho do espelho do lendário Telescópio Espacial Hubble —, a peça do Roman é uma obra-prima da tecnologia moderna. Graças a avanços na fabricação de materiais, o espelho pesa apenas 186 quilos (410 libras), o que representa menos de um quarto do peso do espelho do Hubble.

 

 

Órbita L2: O escudo perfeito contra o calor

Para proteger seus sensíveis instrumentos astronômicos do brilho e do calor emitidos pela Terra, pela Lua e pelo Sol, o observatório operará a 1,5 milhão de quilômetros do nosso planeta, no Ponto de Lagrange L2 (Sun-Earth L2).

Nesta posição estratégica no espaço:

○ As forças gravitacionais da Terra e do Sol se equilibram, permitindo que o telescópio permaneça em uma órbita estável com consumo mínimo de combustível.

○ O design em formato de barril, combinado com um escudo solar dobrável, bloqueia a luz indesejada.

○ A estabilidade térmica alcançada em L2 proporciona uma precisão nos dados até 10 vezes superior à do Hubble em grande parte das observações.

Dois instrumentos para uma revolução científica

Toda a luz captada pelo espelho primário de 2,4 metros será direcionada para os dois instrumentos científicos centrais do Roman:

 

Instrumento de Campo Amplo do Telescópio Espacial Roman. Crédito: Estúdio de Visualização Científica do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA

 

1 – Wide Field Instrument (WFI): Uma câmera infravermelha gigante de 300 megapixels que permitirá olhar para o passado do cosmos, ajudando a entender a expansão do Universo e a evolução da energia escura.

 

Coronógrafo do Telescópio Espacial Roman. Crédito: Estúdio de Visualização Científica do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA

 

2 – Coronagráfo (CGI): Um instrumento de demonstração tecnológica capaz de bloquear o brilho ofuscante das estrelas para fotografar diretamente exoplanetas até 1 bilhão de vezes mais fracos que sua estrela hospedeira.

Com lançamento previsto para agosto de 2026 a bordo do foguete Falcon Heavy, o Nancy Grace Roman promete transformar a astrofísica moderna a partir de seu “camarote VIP” no espaço profundo. Assista ao vídeo e entenda como o Roman vai funcionar.


Destaque – Ilustração da espaçonave criada pelo Estúdio de Visualização Científica do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA.


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