Líder do governo no Senado minimiza impacto de buscas da Polícia Federal, nega relação com ex-controlador de banco e recebe apoio de Davi Alcolumbre.


A deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal (PF) colocou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no centro de um complexo cenário político e jurídico. Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a ação apura supostas fraudes e concessão de vantagens indevidas vinculadas ao extinto Banco Master.

A investigação aponta suspeitas de que a atuação política do parlamentar teria favorecido a instituição financeira em troca de contrapartidas financeiras, incluindo a aquisição oculta de um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões.

Apreensão de valores e bens de luxo

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador baiano, os agentes federais localizaram e retiveram quantias expressivas de dinheiro em espécie. Ao todo, foram apreendidos US$ 55 mil dólares e € 33 mil euros em espécie; além de vários relógios de luxo.

A defesa de Wagner e o próprio parlamentar trabalham para justificar a origem e a declaração legal dos montantes e bens apreendidos pelas autoridades.

Histórico eleitoral e reação do parlamentar

Em pronunciamento sobre a ação da Polícia Federal, Jaques Wagner minimizou o impacto das buscas sobre sua imagem e reputação pública. O senador relembrou que enfrentou episódios semelhantes no passado — como as investigações que miraram sua gestão no governo da Bahia — e que o desgaste não afetou seu desempenho eleitoral.

Nas eleições de 2018, Wagner foi eleito para o Senado Federal com uma votação recorde na Bahia, somando mais de 4,2 milhões de votos (cerca de 35% dos votos válidos do estado). Segundo o líder governista, o resultado nas urnas demonstra que o eleitorado compreende o caráter político de determinadas ações judiciais.

Blindagem do Planalto e negativa de vínculos

O senador negou enfaticamente possuir qualquer tipo de relação pessoal ou profissional com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco Master investigado na operação.

Buscando conter danos ao seu capital político, Jaques Wagner informou ter conversado diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo após o cumprimento dos mandados. De acordo com o líder do Senado, o presidente Lula lhe garantiu “total confiança” em sua conduta e inocência, mantendo o respaldo da chefia do Executivo à sua permanência na liderança governamental.

Solidariedade institucional no Congresso Nacional

Apesar do desgaste público gerado pela operação, Jaques Wagner recebeu manifestações de apoio de lideranças expressivas do Poder Legislativo. O senador Davi Alcolumbre (União-AP) saiu publicamente em defesa do petista, exaltando seu perfil moderado e sua capacidade de diálogo na condução das pautas governistas no Congresso.

Alcolumbre e outros parlamentares aproveitaram o episódio para tecer críticas ao que consideram “excessos espetaculosos” em operações policiais que miram integrantes do parlamento, defendendo a preservação das prerrogativas institucionais do Congresso.


Destaque – Senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e senador Jaques Wagner (PT-BA), líderes no Congresso e no Senado, respectivamente, durante a pauta que discute a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no dia 16 de junho. Foto: Carlos Moura/Agência Senado


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