Fenômeno altera a circulação atmosférica e potencializa frentes de rajada, tempestades e variações térmicas nas regiões Sul e Sudeste.
O fortalecimento do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, reacende o alerta para a ocorrência de eventos meteorológicos severos no Brasil. De acordo com projeções do Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de que o fenômeno atinja a categoria de alta intensidade nos últimos meses do ano. As alterações na dinâmica atmosférica estão associadas ao aumento na frequência de vendavais no Sudeste e à ocorrência de tempestades na Região Sul.
Na avaliação técnica do engenheiro ambiental e professor da Faculdade Estácio, Robson Costa, o aquecimento do Pacífico atua como um elemento dinamizador dos sistemas meteorológicos, embora não seja a causa isolada de cada tempestade. “O El Niño não é o responsável direto por cada tempestade ou tornado, mas modifica a circulação da atmosfera e cria um ambiente muito mais favorável para que esses fenômenos ocorram. Ele atua como um catalisador, intensificando sistemas meteorológicos e aumentando a probabilidade de eventos severos, principalmente na Região Sul”, explica o especialista.
Choque de massas de ar e projeções para o período
Os episódios de ventos fortes registrados recentemente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro decorrem da formação de frentes de rajada, originadas do contraste térmico entre massas de ar quente e seco e o avanço de frentes frias. Segundo o engenheiro ambiental, a presença do El Niño tende a acentuar esses choques atmosféricos. “Esse tipo de contraste atmosférico é potencializado durante episódios de El Niño, que favorecem a permanência e a intensificação das frentes frias sobre a Região Sul. Isso aumenta as condições para linhas de instabilidade, rajadas de vento, chuvas intensas e, em alguns casos, até tornados”, afirma Robson Costa.
Os efeitos da alteração na circulação atmosférica devem se prolongar ao longo das estações de primavera e verão, com estimativa de chuvas acima da média histórica no Sul do país, elevação das temperaturas médias e maior incidência de ondas de calor nas demais regiões. “Entre os efeitos esperados estão chuvas acima da média na Região Sul, temperaturas elevadas em grande parte do país, maior ocorrência de ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais. A combinação de um Pacífico excepcionalmente aquecido com temperaturas elevadas também no Atlântico pode ampliar ainda mais os extremos climáticos. Por isso, é fundamental investir em monitoramento constante, planejamento e ações preventivas para reduzir riscos à população, à agricultura e ao abastecimento de água”, destaca o especialista.
A permanência do fenômeno exige o acompanhamento contínuo dos órgãos de meteorologia e a estruturação de planos de contingência pela defesa civil e gestores públicos para mitigar os impactos sociais e econômicos.
Destaque – Mudanças na circulação atmosférica potencializam tempestades e rajadas de vento no Centro-Sul do país. Imagem: ChatGPT IA image / +aloart / G. I.



