Estudo baseado em dados da missão MAVEN indica que ciclo magnético miniaturizado energiza partículas e gera luzes na atmosfera marciana


Uma nova análise de dados científicos divulgada pela NASA trouxe uma importante revelação sobre a dinâmica atmosférica do Planeta Vermelho. Pesquisadores da missão MAVEN (sigla em inglês para Mars Atmosphere and Volatile Evolution) identificaram que um tipo específico de aurora em Marte se forma de maneira surpreendentemente parecida com as auroras boreais e austrais observadas na Terra.

A descoberta, publicada na revista científica Nature Communications, demonstra que o mesmo mecanismo responsável por acelerar partículas carregadas na magnetosfera terrestre ocorre em Marte, porém em uma escala muito menor e concentrada em regiões específicas da crosta do planeta.

O mecanismo de Dungey e as miniauroras marcianas

Diferente da Terra, que possui um campo magnético global gerado por seu núcleo líquido, Marte perdeu o seu escudo magnético primário há bilhões de anos. No entanto, o planeta ainda conserva campos magnéticos regionais e intensos “congelados” em rochas da sua crosta.

O estudo revelou que uma versão miniaturizada do chamado ciclo de Dungey — processo no qual as linhas do campo magnético do planeta se reconectam com o vento solar e impulsionam elétrons energizados para a atmosfera — acontece diretamente sobre essas anomalias magnéticas locais em Marte. Essa reconexão reconduz e acelera as partículas, gerando o brilho característico das auroras em pontos localizados do hemisfério noturno marciano.

Para mapear e comprovar a ocorrência desse fenômeno, a equipe utilizou dados combinados de múltiplos instrumentos de bordo da sonda MAVEN, incluindo o Magnetômetro, o Analisador de Elétrons do Vento Solar e o instrumento STATIC.

Passo fundamental para compreender a evolução dos dois planetas

A elucidação da física por trás do energizamento dos elétrons em Marte soluciona um mistério de anos sobre o comportamento do tempo espacial no Planeta Vermelho. Embora o fenômeno ocorra em escalas reduzidas em comparação com os polos terrestres, os resultados reforçam como os mesmos princípios físicos moldaram mundos com trajetórias completamente distintas.

Sobre o avanço da pesquisa, a investigadora principal da missão MAVEN e pesquisadora científica, Shannon Curry, destacou a relevância dos achados para a ciência planetária:

“Este é um resultado notável que muda a forma como pensamos sobre as auroras marcianas e é outro passo importante para compreender por que Marte e a Terra evoluíram de forma tão diferente, apesar de serem governados pela mesma física subjacente.”

Para aprofundar o conhecimento sobre o histórico de descobertas da sonda no Planeta Vermelho, vale conferir o vídeo “Dez anos de descobertas da missão MAVEN em Marte”, que sintetiza uma década de medições científicas sobre a atmosfera e o impacto das tempestades solares no planeta.

 

A sonda MAVEN, em órbita ao redor de Marte, perdeu o sinal com as estações terrestres em 6 de dezembro de 2025. Em 3 de junho, a NASA declarou o encerramento da missão após constatar que a sonda era irrecuperável. No entanto, os dados da missão ainda estão sendo utilizados para subsidiar a ciência da NASA e futuras missões a Marte.

Leia sobre as auroras boreais na Terra

Aurora boreal – Noruega e as luzes do norte


Destaque – Ilustração científica da NASA exemplifica a interação entre o vento solar e os campos magnéticos da crosta de Marte gerando auroras locais. Crédito: NASA/GSFC


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