Campanha de conscientização chega ao fim, mas a prática da direção defensiva em condições adversas de chuva e neblina deve ser permanente.
AT & ASP News
O encerramento de mais uma edição do Maio Amarelo — movimento global de conscientização para a redução de acidentes e proteção à vida no trânsito — marca o fim de um mês de debates intensos, mas dá início ao verdadeiro desafio: transformar a teoria em hábito diário. Manter a atenção contínua e adotar uma postura preventiva nas ruas e estradas é uma necessidade que independe do calendário, especialmente ao enfrentar condições climáticas adversas como chuva intensa, neblina ou pistas escorregadias.
Esses cenários desafiadores comprometem diretamente a visibilidade e a aderência dos veículos, elevando significativamente os riscos de ocorrências se o condutor não estiver preparado.
A preocupação com a relação entre o automóvel e o solo acompanha a própria evolução da mobilidade. Historicamente, o conceito de transporte seguro passou por uma grande transformação desde que John Boyd Dunlop inventou o pneu inflável há mais de um século, revolucionando a segurança nas estradas. Hoje, manter esse componente e os demais sistemas do carro em perfeito estado continua sendo a base para que o propósito de salvar vidas seja cumprido em qualquer época do ano.
Manutenção preventiva deve anteceder a viagem
O cuidado com a condução segura começa com o veículo ainda parado. A revisão periódica dos componentes automotivos é indispensável para garantir a previsibilidade das reações do carro diante de imprevistos climáticos.
Os principais itens que demandam inspeção constante são:
• Pneus: Devem apresentar sulcos com profundidade adequada e calibragem correta para garantir o escoamento da água e evitar derrapagens.
• Sistema de iluminação: Faróis e lanternas precisam estar totalmente operacionais para assegurar que o motorista veja a pista e seja visto pelos demais condutores.
• Limpadores de para-brisa: Palhetas em bom estado evitam o acúmulo de água e garantem a visibilidade sob chuva forte.
Além da checagem mecânica, o planejamento do trajeto por meio de aplicativos de monitoramento em tempo real ajuda a identificar pontos críticos de alagamento ou congestionamento, permitindo a escolha de rotas menos perigosas.
Ajustes de velocidade e distância de frenagem
Em cenários de pista molhada ou neblina, a redução da velocidade é uma necessidade técnica. Como o atrito entre os pneus e asfalto diminui, o tempo de resposta do sistema de freios aumenta, exigindo maior espaço para a parada total do veículo.
Especialistas em direção defensiva, como Fábio Torres Klabacher, Gerente de Vendas e Marketing da Dunlop Pneus, orientam que os motoristas dobrem a distância em relação ao veículo que trafega à frente. Esse espaço adicional oferece uma margem de reação adequada, minimizando o risco de colisões traseiras e a necessidade de frenagens bruscas, que podem causar a perda de controle do automóvel em superfícies escorregadias.
Uso correto da iluminação e controle de aquaplanagem
A visibilidade é um dos fatores mais afetados pelas condições climáticas. O uso adequado do sistema de luzes do veículo obedece a regras específicas:
• Farol baixo: Deve ser mantido aceso tanto durante o dia quanto à noite em situações de chuva ou neblina.
• Farol alto: Deve ser evitado nesses cenários, pois o feixe de luz reflete nas partículas de água ou névoa, gerando um efeito de ofuscamento que prejudica a visão do próprio condutor.
Outro perigo comum em dias chuvosos é a aquaplanagem — fenômeno em que o veículo perde o contato direto com o solo e flutua sobre uma camada de água. Caso o automóvel perca a aderência, mantenha a calma. Klabacher reforça que, em momentos críticos como a aquaplanagem, a resposta correta é contraintuitiva: “O impulso natural é frear — mas é exatamente o que não se deve fazer. O caminho é manter a calma, retirar o pé do acelerador, firmar o volante e aguardar que os pneus retomem o contato com a pista. Em condições adversas, o motorista precisa estar 100% focado na condução”.
A perenidade da direção defensiva
Ações em situações extremas dependem do bom senso do condutor. Em caso de alagamentos, a orientação é evitar a travessia se o nível da água ultrapassar a metade das rodas do veículo. Já em situações de neblina severa, onde a visibilidade se torna nula, a decisão mais segura é interromper a viagem em um local apropriado, fora da pista, até que as condições melhorem.
A direção defensiva consiste em antecipar riscos e adaptar o comportamento ao ambiente de forma permanente. Ao consolidar essas práticas na rotina, o motorista assume a corresponsabilidade por um trânsito mais humano, transformando o espírito do Maio Amarelo em um compromisso para o ano todo.
Créditos e Fonte: Conteúdo baseado em diretrizes técnicas de segurança viária, dados históricos sobre a evolução da mobilidade e as informações da Dunlop.
Destaque – Orientações básicas estendem as ações do Maio Amarelo. Foto: Dunlop / +aloart



