Levantamento do ambulatório PrevFumo revela que pacientes usam “vape” acreditando que ele ajuda a parar de fumar, mas acabam sofrendo com a dupla dependência de nicotina.
O uso simultâneo de cigarros tradicionais e dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), os populares vapes, disparou entre as pessoas que tentam abandonar o tabagismo. Um levantamento inédito do PrevFumo, ambulatório especializado do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), revelou que a proporção de pacientes que relataram uso prévio de cigarro eletrônico dobrou, saltando de 4,1% para 8,1%.
Os dados mostram que muitos fumantes chegam ao serviço de saúde com a falsa percepção de que os aparelhos eletrônicos servem como um degrau para interromper o vício ou que seriam menos prejudiciais à saúde do que o tabaco convencional.
O perigo da dupla dependência de nicotina
Os médicos alertam que o uso de dispositivos eletrônicos não tem funcionado como terapia de transição. Em vez de abandonar o cigarro comum, grande parte dos usuários passa a consumir os dois produtos de forma combinada, o que mantém ou até eleva os níveis de dependência química no organismo.
A coordenadora do projeto explica como essa dinâmica se estabelece no cotidiano dos pacientes que buscam auxílio médico.
“O que temos observado é que muitos pacientes não substituem completamente o cigarro convencional pelo eletrônico, mas passam a utilizar os dois produtos simultaneamente, mantendo a dependência à nicotina”, afirma a pneumologista e coordenadora do projeto, Dra. Lygia Sampaio.
Perfil dos usuários e canais de ajuda gratuita
A pesquisa detalhou o perfil sociodemográfico dos pacientes do PrevFumo que utilizam vape. As mulheres são maioria absoluta, representando 59% dos casos registrados. No recorte por idade, os adultos jovens lideram a estatística: a faixa etária dos 30 aos 39 anos concentra 39% dos pacientes, seguida de perto pelos jovens com menos de 30 anos, que somam 28% do total de atendidos.
Pegando o gancho do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, os especialistas reforçam que a substituição pelo cigarro eletrônico é uma armadilha perigosa e que a interrupção real do vício exige acompanhamento médico e terapêutico especializado.
O PrevFumo realiza atendimentos totalmente gratuitos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Moradores de São Paulo e região interessados em iniciar o tratamento podem realizar o agendamento de consultas diretamente pelos telefones de contato (11) 5572-4301 ou (11) 5576-4848.
Destaque – Imagem: aloart / G.I.



