Projetado para a segunda maior comunidade de São Paulo, o Programa Nova Paraisópolis será financiado com os recursos do maior leilão da história das Operações Urbanas Consorciadas do município, o Faria Lima.


A abertura da consulta pública para o Programa Nova Paraisópolis mudou a rotina do complexo que reúne a comunidade, o Jardim Colombo e o Porto Seguro, na Zona Sul. Até o dia 17 de junho, os moradores decidiram deixar de ser apenas espectadores para virar protagonistas do debate. Lideranças locais e moradores organizam mutirões digitais para analisar cada linha do projeto técnico da Prefeitura.

O foco central da mobilidade popular é o destino do R$ 1,668 bilhão arrecadados no leilão imobiliário da Faria Lima. A comunidade quer garantir que cada centavo dessa verba histórica seja revertido em melhorias reais para as vielas.

O impasse entre a mobilidade e as remoções

O sentimento que corre nas ruas é de uma óbvia expectativa misturada com ceticismo. A obra mais aguardada é o prolongamento da Avenida Hebe Camargo. A engenharia prevê conectar a comunidade diretamente à Estação São Paulo-Morumbi do metrô, o que promete reduzir o tempo de deslocamento interno de 37 para 16 minutos.

No entanto, o avanço dessa nova avenida e a canalização planejada para os córregos Antonico e Itararé batem de frente com a maior preocupação local: o fantasma do desalojamento. Moradores de áreas mapeadas como de risco exigem um cronograma transparente de transição.

A principal cobrança é que as famílias afetadas pelas obras sejam reassentadas imediatamente em novos conjuntos habitacionais construídos no próprio bairro, como os residenciais Sanfona e Vila Andrade. Os moradores querem evitar que vizinhos históricos sejam empurrados para longe apenas com o auxílio-aluguel.

Estrutura de saúde, educação e lazer no papel

O plano de metas estipula a criação ou reforma de 15 equipamentos públicos de atendimento básico. No setor de saúde, a promessa de expandir a rede local com uma UPA 24 horas e um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS AD) atende a uma demanda antiga por socorro médico na madrugada.

Para a educação e o lazer, o projeto prevê quatro novas creches, uma escola de ensino fundamental e um centro integrado de educação de jovens e adultos. Também estão no papel um polo cultural no Grotão e um complexo esportivo de 16 mil metros quadrados com piscina olímpica.

A infraestrutura verde seria reforçada com a criação do Parque Itapaiúna, uma área de 48 mil metros quadrados de preservação e convivência comunitária, além de um Centro de Oportunidades voltado ao empreendedorismo local.

O desafio de fiscalizar a engenharia

Para viabilizar as novas estruturas, o projeto estima a requalificação urbana de 36 quilômetros de ruas e vielas, incluindo arborização, pavimentação e enterramento da fiação elétrica, além de levar saneamento básico e rede de esgoto para 32 mil domicílios.

O grande desafio da comunidade agora é a fiscalização do processo licitatório que virá após o dia 17 de junho. O objetivo dos comitês de moradores é blindar a verba do leilão imobiliário, garantindo que o dinheiro fique carimbado exclusivamente para as frentes de trabalho da Nova Paraisópolis ao longo dos próximos anos.


Destaque – Nova Paraisópolis: Prefeitura decidiu investir, na comunidade, toda a verba arrecadada com o Operação Urbana Faria Lima. Imagem: Prefeitura de SP / Secom


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