Brent supera US$ 100 com crise no Estreito de Ormuz e reforça busca global por soluções como hidrogênio verde na navegação


A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global de energia e reacendeu o alerta sobre a dependência do transporte marítimo em relação aos combustíveis fósseis.

O conflito entre Irã e Israel intensificou os riscos no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio global de petróleo, e impulsionou uma nova alta nos preços.

O preço do petróleo Brent operava com alta, situando-se próximo a US$ 103,48 por barril nesta quinta-feira (23/04/2026), impulsionado por tensões contínuas no Oriente Médio que geram temores de restrições na oferta, refletindo o aumento das incertezas sobre logística global.

Volatilidade expõe fragilidade do setor marítimo

A reação do mercado reforça como o transporte marítimo segue altamente exposto à volatilidade do petróleo e a choques geopolíticos.

Responsável por grande parte da cadeia logística mundial, o setor ainda depende fortemente de combustíveis fósseis, o que aumenta custos e riscos operacionais em cenários de instabilidade.

Esse contexto tem acelerado a busca por alternativas energéticas capazes de reduzir emissões e diminuir a dependência do petróleo.

 

Auditório na embarcação do projeto JAQ alimentado com energia limpa. Crédito: Revista Náutica

 

Hidrogênio verde ganha espaço na navegação

Entre as soluções em desenvolvimento, o hidrogênio verde avança como aposta para a descarbonização do setor marítimo.

O projeto JAQ Hidrogênio Verde, do Grupo Náutica em parceria com o Itaipu Parquetec e tecnologia da GWM, testa embarcações movidas por células de combustível, substituindo motores a combustão por sistemas elétricos alimentados por hidrogênio.

Segundo o projeto, a proposta elimina a necessidade de abastecimento convencional e prevê, em fases futuras, produção de combustível a bordo, com emissão zero de carbono e subproduto apenas de água.

“A alta do petróleo em um cenário de conflito evidencia o quanto a navegação ainda depende de uma matriz vulnerável a fatores externos. O projeto JAQ nasce justamente para enfrentar esse ponto. O JAQ H1 é o primeiro protótipo em operação, desenvolvido para validar, na prática, a propulsão por hidrogênio verde e a substituição do motor a combustão por um sistema limpo e eficiente”, afirma Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e idealizador do projeto.

Tecnologia híbrida reduz emissões em até 80%

A embarcação JAQ H1 já opera com sistema híbrido, utilizando cerca de 20% de hidrogênio verde em motores adaptados.

O modelo permite redução imediata de até 80% nas emissões e funciona como tecnologia de transição para a indústria naval.

Toda a operação interna — incluindo iluminação, climatização e áreas de convivência — também é alimentada por hidrogênio verde, reforçando a proposta de autonomia energética.

Transição energética acelera no setor marítimo

A combinação entre alta do petróleo, instabilidade geopolítica e novas exigências ambientais aumenta a pressão por mudanças estruturais na navegação global.

Com isso, soluções baseadas em hidrogênio verde passam a ganhar relevância não apenas ambiental, mas também econômica e estratégica.


Destaque – Embarcação do projeto JAQ Hidrogênio Verde. Crédito: Revista Náutica


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