Ataques e retaliações elevam o risco no Oriente Médio, e petróleo e dólar entram no radar; especialista recomenda método, liquidez e diversificação.


A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no fim de semana, com ataques e retaliações na região, aumentou a percepção de risco geopolítico e elevou a volatilidade nos mercados nesta segunda-feira. O petróleo subiu com força no início do dia, com alta acima de 7% em alguns momentos, diante do temor de restrições na navegação e na logística no Golfo e no Estreito de Ormuz. O investidor acompanhou os reflexos em dólar, Bolsa e juros.

Para o especialista em investimentos Fellipe Rabelo, da V2R Investimentos, o principal impacto para quem investe não é apenas a variação do preço no dia, mas a chance de agir sem critério. “Quando a volatilidade sobe, eu volto ao básico. Eu olho risco, liquidez e a instituição por trás do investimento. Não existe aplicação totalmente livre de risco, então o que protege é método”, afirma.

Em períodos de tensão, o mercado reavalia risco e ajusta preços com mais rapidez. Energia, comércio e custo de financiamento entram no radar, e isso pode aparecer ao mesmo tempo em câmbio, juros, commodities e Bolsa. A intensidade muda conforme o tipo de conflito, o tempo esperado e o peso do evento para energia e para o fluxo global de capitais.

De acordo com Fellipe, não existe regra única para o que reage primeiro, mas alguns movimentos aparecem com frequência em semanas de estresse geopolítico.

• Câmbio: O dólar pode oscilar mais, porque funciona como termômetro de aversão a risco e de entrada e saída de capital.
• Commodities: Petróleo e outras matérias-primas podem reagir quando o mercado precifica risco de oferta, custo e logística.
• Bolsa: Ações podem cair ou subir conforme o humor global, o apetite por risco e as expectativas para juros e atividade.
• Juros: A percepção de risco e inflação altera expectativas e afeta preços de títulos e o custo do dinheiro.

O especialista diz que essa variação de comportamento reforça a importância de evitar decisões automáticas e de curto prazo.

Por que o Estreito de Ormuz entra no radar?

Um dos pontos que o mercado monitora neste conflito é o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico. É por ali que passa uma parcela relevante do petróleo que sai de países produtores do Oriente Médio.

A agência de energia do governo dos EUA (EIA) estima que, em 2024, o fluxo médio foi de cerca de 20 milhões de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 20% do consumo global de líquidos de petróleo.

Por isso, quando cresce o risco de ataques e de restrições na navegação, o preço do petróleo costuma reagir, porque o mercado precifica risco de oferta e de logística.

O impacto para quem investe

O investidor sente esse tipo de cenário de duas formas. A primeira aparece no valor dos ativos, com oscilações mais rápidas e dias de mercado mais sensível a notícias e expectativas.

A segunda é comportamental, porque a instabilidade aumenta a chance de decisões apressadas. “Um erro comum é colocar a reserva onde rende mais e descobrir que não tem liquidez quando precisa. Reserva tem que ficar disponível, não disputar a maior taxa”, alerta.

Veja como reduzir risco em momentos de volatilidade:

1) Separe curto prazo de longo prazo. Se o recurso tem uso próximo, priorize liquidez e segurança. Se o objetivo é longo prazo, evite mudanças por susto.

2) Mantenha reserva de emergência com baixo risco e alta liquidez. A reserva existe para cobrir imprevistos sem obrigar a venda em dia ruim. “Eu costumo indicar um colchão que cubra de seis a 12 meses os custos fixos, em algo que você consiga acessar com facilidade”, afirma o especialista.

3) Evite concentração em uma única tese. Diversificação reduz o impacto quando o cenário vira, inclusive entre instituições. Distribuir o dinheiro entre mais de uma instituição e mais de um tipo de investimento ajuda a reduzir o risco.

4) Desconfie de promessas e de taxas fora do padrão. Se a remuneração parece boa demais, trate como sinal de alerta e procure entender o risco por trás. Quando aparece uma taxa muito acima do que o mercado paga, vale investigar com calma antes de colocar dinheiro.

5) Revise risco e liquidez antes de buscar retorno. Para a parcela mais conservadora da estratégia, ele cita um caminho simples para quem quer reduzir risco com liquidez diária. “Para quem busca baixo risco e liquidez, o Tesouro Selic costuma ser uma opção direta”, orienta Fellipe.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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