Levantamento do DIEESE mostra mudanças no perfil dos trabalhadores, avanço da informalidade, aumento da desigualdade e transformações no mercado de trabalho paulistano entre 2015 e 2025.


Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, as análises foram feitas pelo Observatório do Trabalho do DIEESE: “A Evolução do Mercado de Trabalho Paulistano nos Últimos Anos” e “Medidas de Desigualdades de Remuneração no Mercado de Trabalho Formal Intramunicipal”.

Os levantamentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), indicam mudanças na cidade de São Paulo e no perfil dos trabalhadores na última década. A escolaridade teve um pequeno aumento (de 21% para 27%) no que concerne ao ensino superior completo; o setor de Transporte e Logística cresceu 2,5%; e mais pessoas se consideram negras na comparação entre 2015 e 2025, passando de 34% para 44%.

Evolução do mercado de trabalho

O estudo “A Evolução do Mercado de Trabalho Paulistano nos Últimos Anos” demonstra que, entre 2015 e 2025, São Paulo passou por mudanças estruturais importantes tanto no perfil da população quanto no mercado de trabalho. Do ponto de vista demográfico, houve crescimento significativo da população negra, envelhecimento da população e aumento do nível educacional, embora ainda persista a predominância relativa de mulheres brancas.

Territorialmente, mantêm-se padrões de segregação: a população negra segue mais concentrada nas periferias, enquanto distritos centrais e valorizados apresentam perda populacional, mesmo com expansão imobiliária e presença de imóveis vazios ou de uso ocasional.

No mercado de trabalho, observa-se a consolidação de uma economia baseada em serviços, com destaque para setores empresariais e tecnológicos, ao mesmo tempo em que a indústria perde espaço. Houve aumento da participação de profissionais qualificados, especialmente nas áreas científicas e intelectuais, mas também crescimento de ocupações precárias, como as vinculadas à economia de aplicativos, marcadas por baixa proteção social.

Paralelamente, verifica-se a redução do emprego formal com carteira assinada e a expansão do trabalho por conta própria, indicando avanço da informalidade e de formas flexibilizadas de contratação, como a “pejotização”.

O estudo também aponta a formação de concentrações territoriais de atividades econômicas específicas, como polos de saúde em regiões centrais e periféricas, núcleos de tecnologia da informação em áreas valorizadas e expansão de setores como moda, gastronomia e serviços terceirizados em diferentes regiões da cidade.

No campo social, há sinais de maior inclusão, com redução mais intensa do desemprego e aumento da renda média entre mulheres e população negra — especialmente mulheres negras. No entanto, as desigualdades permanecem expressivas, evidenciando que, apesar das transformações e avanços, o mercado de trabalho paulistano continua marcado por fortes disparidades sociais, raciais e territoriais.

Medidas de desigualdades remuneratórias

A análise da pesquisa “Medidas de Desigualdades de Remuneração no Mercado de Trabalho Formal Intramunicipal” evidencia que a desigualdade salarial no emprego formal em São Paulo é elevada e distribuída de forma desigual no território, refletindo tanto a dinâmica econômica quanto a segregação urbana.

Enquanto os distritos centrais concentram grandes disparidades — com a convivência entre ocupações altamente remuneradas e funções de baixa renda —, as periferias apresentam menor desigualdade interna, porém marcada pela predominância de baixos salários.

O estudo também destaca que grupos como mulheres, negros e jovens periféricos enfrentam maiores barreiras de acesso a empregos mais qualificados e bem remunerados, agravando a desigualdade. Além disso, a informalidade, embora não capturada diretamente pelos indicadores analisados, contribui para ampliar a vulnerabilidade social.

Concluiu-se que o enfrentamento desse cenário exige políticas públicas integradas e sensíveis às diferenças territoriais, capazes de reduzir tanto a desigualdade extrema nas áreas centrais quanto a baixa renda estrutural nas periferias, promovendo maior inclusão social.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, manifestou-se em recente seminário promovido pela Prefeitura de São Paulo para debater esses estudos.

“Compreender as mudanças da cidade de São Paulo é um requisito essencial para a formulação e fortalecimento de políticas públicas eficientes. É por esse motivo que seguimos investindo em estudos e pesquisas que possam nos ajudar na criação de mais oportunidade, emprego e renda a todos os paulistanos”, afirmou.

 

 


Destaque – Imagem: Prefeitura de SP / +aloart / G.I.


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