As imagens geradas pelo satélite mostram variações sutis na vegetação ao longo das estações. Segundo a NASA, a proposta é transformar dados hiperespectrais em uma representação visual capaz de revelar como as plantas respondem ao clima, à luz e à disponibilidade de água e nutrientes.
O papel dos pigmentos na saúde das plantas
Diferente de missões anteriores, que focavam principalmente na clorofila, o PACE também analisa antocianinas (pigmentos vermelhos) e carotenoides (amarelos).
Esses compostos ajudam as plantas a se protegerem de estresses ambientais. Por exemplo, folhas podem amarelar quando há excesso de luz solar ou falta de nutrientes e água, como forma de adaptação para preservar o processo de fotossíntese.
“A Terra é incrível. É uma experiência que nos torna humildes, poder ver a vida pulsando em cores por todo o planeta”, disse Morgaine McKibben, líder de aplicações do programa PACE no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland. “É como o efeito de visão panorâmica que os astronautas descrevem quando olham para a Terra de cima, só que nós estamos olhando através da nossa tecnologia e dos nossos dados.”

Dados sobre antocianinas, carotenoides e clorofila revelam a América do Norte, destacando a vegetação e sua saúde. Para a visualização completa, acesse: https://svs.gsfc.nasa.gov/5548/ Crédito: Estúdio de Visualização Científica da NASA
Na visualização criada pelos cientistas:
• Magenta representa antocianinas;
• Verde representa clorofila;
• Ciano representa carotenoides.
Quanto mais intensas as cores, maior a densidade de vegetação na região observada.
Um “ano inteiro” da Terra visto do espaço
As imagens mostram claramente o ciclo das estações ao redor do planeta. Em regiões como o noroeste do Pacífico, onde predominam florestas perenes, as variações são menores e mais estáveis ao longo do ano.
Já áreas com forte sazonalidade exibem mudanças mais marcantes nas cores, revelando períodos de crescimento e declínio da vegetação.
Tecnologia hiperespectral inédita em escala global
O instrumento Ocean Color, a bordo do PACE, observa a Terra em cerca de 100 comprimentos de onda diferentes, cobrindo luz visível e infravermelha próxima. Isso permite detectar variações extremamente sutis na composição das folhas.
Segundo a NASA, é a primeira missão capaz de oferecer cobertura hiperespectral global a cada um ou dois dias, algo que abre novas possibilidades para o monitoramento ambiental.
Pesquisadores reuniram um ano inteiro de dados do PACE para contar uma história sobre a saúde da vegetação terrestre, detectando pequenas variações na cor das folhas. Missões anteriores permitiram que os cientistas observassem mudanças amplas na clorofila, o pigmento que dá às plantas sua cor verde e também permite que elas realizem a fotossíntese. Mas o PACE agora permite que os cientistas vejam três pigmentos diferentes na vegetação: clorofila, antocianinas e carotenoides. A combinação desses três pigmentos ajuda os cientistas a obter ainda mais informações sobre a saúde das plantas. Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA
Avanço científico e novas aplicações
Em artigo publicado na revista Remote Sensing Letters, pesquisadores destacam que os dados já começam a transformar a forma como os ecossistemas são estudados.
“Esses dados do PACE fornecem uma nova visão da Terra que aprimorará nossa compreensão da dinâmica e do funcionamento dos ecossistemas”, afirmou Fred Huemmrich, da Universidade de Maryland.
Os cientistas acreditam que as informações poderão ser usadas no futuro para monitorar florestas, acompanhar impactos da seca e detectar sinais precoces de estresse ambiental.
Com as informações do artigo de Erica McNamee – Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, Greenbelt, Maryland.
Destaque – Os dados da missão científica de observação da Terra PACE (Plankton, Aerosol, Cloud ocean Ecosystem) nos ajudam a entender como o oceano e a atmosfera trocam dióxido de carbono, medir variáveis atmosféricas importantes associadas à qualidade do ar e ao clima da Terra, e monitorar a saúde dos oceanos e das plantas. Crédito: NASA



