Vivemos um tempo em que a informação cabe na palma da mão. Em poucos segundos, qualquer cidadão acessa dados que antes exigiam horas de pesquisa: histórico político, processos judiciais, votações no Congresso Nacional, declarações públicas, patrimônio e alianças. Nunca foi tão fácil conhecer quem pretende nos representar. E, justamente por isso, é preciso transformar tal acesso em responsabilidade.

O Brasil se aproxima de mais um período eleitoral decisivo. No pleito de outubro de 2026, vamos escolher presidente da República, governadores, senadores, além de deputados estaduais e federais. O voto não é um gesto isolado, mas, sim, um ato com consequências que se estendem por quatro anos na vida dos brasileiros.

Aqui, reside necessária reflexão: o que deveria ser o mínimo obrigatório — ética, integridade e respeito ao dinheiro público — passou a ser tratado como diferencial. Num cenário marcado por escândalos e denúncias recorrentes, pré-candidatos / candidatos com ficha limpa, trajetória coerente e compromisso comprovado com o interesse público tornam-se exceção.

A boa notícia, reitero, é que o eleitor nunca esteve tão bem equipado para fazer sua escolha de maneira consciente. Ferramentas digitais, portais de transparência, tribunais eleitorais, veículos de Comunicação e redes sociais permitem cruzar informações, verificar discursos e confrontar promessas de campanha com a realidade.

Votar bem, portanto, exige mais do que simpatia e/ou identificação – inclusive, ideológica, partidária. Requer critério. É preciso, afinal, avaliar a coerência entre o que o pré-candidato / candidato diz e o que já fez. Em suma, observar sua trajetória: como lidou com recursos públicos? Quais decisões tomou quando estava no “poder”? Como se comportou em momentos de crise? Respeita as leis? Tem compromisso com o que é correto? Está envolvido em investigações graves?

A transparência, neste contexto, é instrumento essencial da qualidade democrática. Mandatos transparentes tendem a ser mais responsáveis, eficientes e alinhados ao interesse coletivo. Quando o gestor sabe que será acompanhado e cobrado, a margem para abusos e desvios diminui.

Da mesma forma, o cuidado com o dinheiro do povo não pode ser tratado como detalhe. Cada recurso mal utilizado representa oportunidade perdida: um hospital que deixa de receber melhorias, uma escola sem os investimentos necessários, o remédio que não chega no posto de saúde, uma obra que não sai do papel, a enchente que não dá trégua nos períodos mais quentes. O impacto da má gestão, por fim, não é abstrato — afeta vidas.

Logo, o voto precisa ser encarado com a seriedade que merece. Não é sobre torcida, emoção passageira ou narrativas vazias. É sobre futuro – é escolher quem vai administrar recursos, tomar decisões difíceis, falar a verdade (mesmo nas horas mais difíceis) e representar milhões de brasileiros.

Se, hoje, temos mais acesso à informação, também temos o dever de usá-la. Democracia não se fortalece apenas com o direito de votar. Se consolida com qualidade da escolha. E isto depende de cidadãos atentos, mais críticos e conscientes.

No fim, a pergunta que deve guiar o eleitor é simples, mas indiscutivelmente poderosa: estou escolhendo alguém em quem posso confiar para cuidar do que é de todos nós? Arrisco a dizer que a resposta pode definir não apenas o resultado de uma eleição, mas o rumo de todo um País.


Paulo Serra – Especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é 1º vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB e presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo; foi prefeito de Santo André-SP, de 2017 a 2024;


Destaque – Imagem: Divulgação / +aloart


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