O principal indicador sobre a saúde fiscal de um país é a relação entre sua dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). A manutenção de privilégios e mordomias também custa caro.


A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado Federal, publicou recentemente uma Nota Técnica (Outubro 2025), “Endividamento público e tributação: Federação e financiamento das políticas públicas”, na qual conclui que o país pode alcançar um colapso fiscal.

De acordo com o documento, o crescimento da dívida pública e a ausência de superávits nas contas públicas consistentes apontam para um cenário no qual a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou o patamar de 77,6% do PIB ao final de 2025 e as projeções levam a 82,4% em 2026, descrevendo uma curva ascendente até 2035. Esses patamares são considerados elevados para um país emergente.

“As projeções refletem os déficits primários recorrentes esperados no período, dentro das atuais regras fiscais; a permanência de juros reais elevados em torno de 5,1%; e um crescimento econômico médio anual moderado ao redor de 2,2%. Nestas condições, o resultado primário requerido para estabilizar a dívida bruta seria um superávit de 2,1% do PIB.”

O governo gasta muito e gasta mal. A aposta do governo consiste na estratégia de aumentar a arrecadação. Em 2024, a carga tributária bateu o recorde histórico de 35,1% do PIB, segundo o Ipea, ou 34,1% pela metodologia da Secretaria do Tesouro Nacional. Política e economicamente, o país rebate com força as possibilidades de novos aumentos de impostos.

Classe política de luxo

Neste ano vamos eleger 513 deputados federais. No ano passado, depois de eleitos, para que pudessem exercer seu mandato, cada deputado federal custou R$ 273.633,03/mês ou R$ 3.283.596,42 — cálculo feito pela média ponderada pela distribuição estadual das cadeiras. Multiplique por 513.

A título de comparação, nos EUA um deputado federal custa R$ 900 mil. Se a comparação levar em conta que o pagamento é feito em dólares, ao câmbio de R$ 5,37 por dólar, seria algo em torno de US$ 168 mil.

Apenas para citar, cada ministro do STF custa cerca de R$ 60 milhões por ano. O orçamento do órgão em 2025, incluindo cerca de 74% para pessoal e encargos, custou aos contribuintes R$ 908 milhões com direito a banquetes extraordinários. Em 2026, o orçamento da casa é de R$ 1,047 bilhão, um aumento de 9,78% em relação a 2025.


Destaque – Destaque – Brasília (DF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de Janja e Alckmin: participação na cerimônia relativa aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e assinatura do veto integral ao PL da Dosimetria, no Palácio do Planalto. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

 


Leia outras matérias desta editoria

Custo dificulta acesso à saúde para 8 em cada 10 brasileiros, aponta pesquisa

Pesquisa da Ipsos em 32 países mostra que 80% dos brasileiros veem o preço como barreira a bons serviços de saúde; espera por consultas e falta de prevenção também preocupam. O custo dos serviços de saúde é uma das principais barreiras de acesso para a...

Fim da escala 6×1 desafia empresas e muda relações de trabalho

A redução da jornada para 40 horas semanais, sem corte salarial, mobiliza sindicatos e entidades empresariais e levanta questões sobre custos, produtividade e preços. O Senado Federal aprovou na quarta-feira (14) o fim da escala de trabalho 6x1, em uma...

Impactos econômicos em diversos setores e projeções de aumentos para os consumidores

Setores da economia demonstram suas preocupações com a aprovação da PEC do fim da escala 6 x 1. Hospitais estimam impacto de R$ 12 bilhões A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) estima em R$ 12 bilhões o impacto do fim da escala 6x1 sobre o...

Uma emenda constitucional a cada 3,84 anos

Os dois lados da moeda: a Constituição Federal recebe mais uma emenda a dias da eleição presidencial. Sindicatos comemoram aprovação Do lado dos sindicalistas, a aprovação foi recebida como uma conquista social. A Central Única dos Trabalhadores (CUT)...

Nobel de Economia Michael Woodford esteve no Brasil e colaborou com Aloisio Araujo

Laureado em 2026 participou de conferência no IMPA, no Rio, onde debateu política monetária e sustentabilidade fiscal; parceria com pesquisador brasileiro inclui estudos sobre atuação dos bancos centrais. O economista norte-americano Michael Woodford,...

Confiança recua entre empresas e consumidores em setembro, aponta FGV IBRE

Índices de indústria, serviços, comércio e construção caíram no mês; confiança empresarial teve terceira queda seguida e consumidores registraram o quinto recuo consecutivo A confiança perdeu força em setembro entre empresas e consumidores, segundo a...

Petrobras encontra novo intervalo de petróleo no Amapá

Segunda ocorrência no poço Morpho amplia dados sobre a Bacia da Foz do Amazonas, mas volume e viabilidade comercial ainda não foram definidos A Petrobras anunciou uma nova ocorrência de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas...