Setores da economia demonstram suas preocupações com a aprovação da PEC do fim da escala 6 x 1.
Hospitais estimam impacto de R$ 12 bilhões
A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) estima em R$ 12 bilhões o impacto do fim da escala 6x1 sobre o setor. A avaliação foi apresentada durante o painel de abertura do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp 2026), realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
O debate reuniu dirigentes do setor, liderados pelo médico Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Anahp. A preocupação envolve a necessidade de manter equipes disponíveis para atender pacientes em diferentes turnos, inclusive durante a noite, nos fins de semana e nos feriados.
A redução da jornada poderá exigir novas contratações ou mudanças na distribuição dos horários de trabalho. Para os hospitais, que precisam manter serviços essenciais em funcionamento contínuo, o desafio será adequar as equipes sem comprometer o atendimento e a sustentabilidade financeira das instituições.
Fiesp critica votação em período eleitoral
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou preocupação com a aprovação da proposta durante o período eleitoral. Em nota assinada pelo presidente Paulo Skaf, a entidade afirmou que uma mudança dessa dimensão exigia debate aprofundado, com avaliação de seus efeitos antes da votação.
“Nossa posição sempre foi a de que um tema dessa magnitude exigia debate profundo e fora do calendário eleitoral, sem o risco de se tornar uma ‘PEC Boca de Urna’”, declarou a Fiesp.
A federação alertou para possíveis impactos sobre setores como saúde, educação, transporte, supermercados e indústria química. Também apontou riscos de aumento da informalidade e de despesas para empresas e consumidores, incluindo custos condominiais.
A entidade questionou ainda a inclusão de regras sobre jornada de trabalho na Constituição e advertiu que decisões tomadas sem avaliação suficiente podem produzir consequências econômicas para toda a sociedade.
Comércio e serviços defendem negociação coletiva
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também criticou a condução da proposta durante o período eleitoral. A entidade reconheceu a legitimidade do debate sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida, mas defendeu maior aprofundamento técnico e avaliação criteriosa dos efeitos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas.
A CNC considera que as negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores são o caminho mais adequado para construir soluções que levem em conta as particularidades de cada atividade econômica e as diferentes realidades regionais.
A entidade argumentou que mudanças estruturais dessa magnitude exigem diálogo, previsibilidade e segurança jurídica, com atenção à preservação dos postos de trabalho. Também manifestou preocupação com o uso eleitoral de um tema que afeta diretamente empresas, trabalhadores e a economia nacional.
Proteína animal prevê aumento de custos
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que o setor já enfrentava dificuldades para preencher seus quadros de funcionários sob a legislação anterior, recorrendo inclusive à contratação de mão de obra imigrante.
Na avaliação da entidade, a redução da jornada poderá afetar a capacidade produtiva e exigir adaptações operacionais. Em nota, a ABPA alertou para possíveis reduções na oferta de alguns produtos e aumento do custo médio de produção, com eventual repasse ao consumidor final.
Entre os alimentos potencialmente afetados estão carne de frango, carne suína e ovos. A entidade aponta que a reorganização das equipes poderá elevar os custos de produção, embora a dimensão dos efeitos dependa da capacidade de adaptação de cada empresa.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), por sua vez, havia se manifestado antes da votação, em nota divulgada no dia 14. A entidade classificou os impactos potenciais como graves e afirmou que a mudança poderá elevar despesas, reduzir a disponibilidade de atendimento e afetar a prestação de serviços.
Para bares e restaurantes, a estimativa apresentada pela Abrasel é de aumento de aproximadamente 20% nos gastos com funcionários. O percentual representa uma projeção do setor, que aponta dificuldades para manter o atendimento e reorganizar as escalas de trabalho.
Destaque – O fim da escala 6x1 inaugura uma nova etapa nas relações de trabalho, com expectativas de melhoria da qualidade de vida e preocupações sobre custos, produtividade e preços. Imagem: aloart / G. I. / IA image




