Data de 1º de outubro chama atenção para direitos e inclusão, enquanto experiências como a da Unibes mostram a importância da convivência e dos vínculos na longevidade
O Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, é uma oportunidade para lembrar que respeito, atenção, autonomia e convivência não deveriam ser compromissos restritos a uma data comemorativa. Em uma sociedade que envelhece rapidamente, o desafio é transformar esses princípios em práticas permanentes dentro das famílias, das comunidades e das políticas públicas.
A data internacional foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1990. No Brasil, 1º de outubro também marca o aniversário do Estatuto da Pessoa Idosa, criado pela Lei nº 10.741/2003, que assegura direitos às pessoas com 60 anos ou mais e estabelece garantias relacionadas à dignidade, saúde, liberdade, cidadania e convivência familiar e comunitária.
Em 2026, a ONU escolheu como tema “A era da longevidade: repensar os sistemas para uma vida mais longa”. A organização chama atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de garantir que os anos adicionais de vida sejam acompanhados por saúde, segurança, participação social e dignidade.
Amizade também faz parte do envelhecimento
Uma experiência da Unibes, instituição com mais de 110 anos de atuação em São Paulo, ajuda a mostrar como a convivência pode fazer diferença nessa etapa da vida. No Núcleo de Convivência para Idosos, cerca de 85 pessoas participam de atividades que incluem oficinas de artes, coral, dança, palestras e passeios culturais, além de refeições e transporte.
Entre os frequentadores estão Leila Profis, de 81 anos, e Sara Garanhani, de 79. Depois de enfrentarem perdas familiares, as duas encontraram no espaço da instituição uma nova rede de convivência e acabaram construindo uma amizade que descrevem como uma relação de irmãs.
“Aqui nasceu uma amizade de irmãs, vivemos como família”, conta Leila. Sara resume a relação: “É uma amizade gostosa, não existe cobrança entre nós. Temos respeito uma com a outra”.
Para Leila, a convivência também ajudou a recuperar a disposição para manter uma vida social. “Eu nunca desanimei, sempre procurei me movimentar. Mas comecei a sentir que estava perdendo a vontade de ver as pessoas. Até que falei para mim mesma ‘eu não posso ficar assim, não posso me abater’”, relata.
Sara também encontrou na instituição um espaço de pertencimento. “A Unibes foi a minha salvação, como continua sendo até hoje. Aqui recebo atenção, carinho e fiz amigas”, afirma.
Solidão é um dos desafios da longevidade
As histórias ajudam a dimensionar um problema que vai além da assistência material. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado em dados da Pesquisa Nacional de Saúde, aponta que 12,8% das pessoas idosas declararam possuir nenhum ou apenas um familiar com quem contar. O levantamento também identificou que 23% não tinham nenhum amigo próximo para compartilhar momentos bons ou recorrer em situações de necessidade.
A falta de vínculos pode transformar o envelhecimento em um período de isolamento. Por isso, espaços de convivência, atividades culturais, participação comunitária e oportunidades para construir novas amizades também fazem parte da promoção de qualidade de vida.
Patricia Sereno, vice-presidente do Serviço Social da Unibes, resume a proposta da instituição: “Oferecemos um espaço dinâmico e acolhedor para que os assistidos mantenham a mente e o corpo ativos, fortalecendo seus laços comunitários. Nosso objetivo vai além do entretenimento, buscamos estimular o envelhecimento saudável e garantir que cada um se sinta valorizado e pertencente a uma rede de afeto”.
Respeito aos mais velhos vai além de uma data
Em diferentes sociedades do Leste Asiático, tradições culturais e familiares historicamente atribuíram grande importância ao respeito e à experiência dos mais velhos. No Japão, por exemplo, existe o Dia do Respeito aos Idosos, celebrado em setembro. Em culturas influenciadas pelo confucionismo, a valorização dos pais, dos antepassados e da continuidade entre gerações também ocupa lugar importante.
Essas tradições, porém, não significam que todos os países ou famílias orientais tratem seus idosos da mesma maneira. O ponto comum é a presença histórica de valores que associam idade, experiência e responsabilidade entre gerações.
No Brasil, o envelhecimento da população torna essa reflexão cada vez mais necessária. Dados recentes do governo federal apontam cerca de 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, grupo que já representa uma parcela expressiva da população brasileira.
A celebração de 1º de outubro, portanto, pode ser mais do que uma homenagem anual. É uma oportunidade para lembrar que envelhecer com dignidade depende também de relações humanas, autonomia, participação social e respeito cotidiano.
Porque o idoso não precisa ser lembrado apenas no Dia do Idoso. Precisa ser respeitado todos os dias.
Destaque – Amizade e convivência ajudam a fortalecer a autonomia e os vínculos sociais na terceira idade. Imagem: aloart / G. I. / IA image



