Em posicionamento conjunto, AMRIGS e SOGAMEDE destacam que o Mundial serve como estímulo contra o sedentarismo, mas alertam para o risco de lesões e a necessidade de avaliações prévias.


A grande mobilização gerada pela Copa do Mundo reacende o interesse da população por atividades físicas, funcionando como um estopim para combater o sedentarismo. No entanto, para que o entusiasmo com os jogos se converta em benefícios reais à saúde, a retomada dos exercícios deve ser feita com cautela. O alerta foi emitido por meio de uma nota conjunta assinada pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e pela Sociedade Gaúcha de Medicina do Exercício e do Esporte (SOGAMEDE).

As entidades apontam que grandes eventos esportivos são potentes fontes de inspiração para todas as faixas etárias, ajudando a melhorar o condicionamento cardiovascular, o controle de peso e a saúde mental. Contudo, o erro mais frequente é tentar compensar anos de inatividade em poucos dias, o que eleva drasticamente o risco de complicações e lesões.

A importância da avaliação médica e da evolução gradual

O retorno às quadras e campos deve ser progressivo, respeitando os limites biológicos de cada indivíduo. Os médicos ressaltam que a realização de exames e avaliações clínicas prévias é indispensável, principalmente para pessoas acima de 35 anos ou que apresentem fatores de risco estabelecidos, tais como:
• Hipertensão arterial e diabetes;
• Obesidade e tabagismo;
• Histórico familiar de doenças cardíacas ou diagnóstico de enfermidades crônicas.

A recomendação para os novos praticantes envolve iniciar as atividades com baixa intensidade, manter uma hidratação rigorosa, realizar aquecimentos adequados e utilizar calçados apropriados. Sintomas como dor no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tonturas, palpitações ou mal-estar intenso servem como sinal de alerta para interromper a prática imediatamente e buscar assistência especializada.

Os riscos específicos do futebol de final de semana

Por ser um esporte de contato que exige acelerações, frenagens bruscas, saltos e mudanças rápidas de direção, o futebol apresenta um índice considerável de lesões quando praticado sem o devido preparo muscular.

Entre as ocorrências mais comuns registradas pelas sociedades médicas estão os estiramentos na musculatura posterior da coxa e adutores, além de entorses de tornozelo e joelho. Lesões graves em meniscos e no ligamento cruzado anterior (LCA) são frequentes em atletas amadores descondicionados, podendo resultar em longos períodos de afastamento das atividades cotidianas.

As entidades concluem reforçando que o esporte para não-atletas deve focar na constância e na qualidade de vida, e não na alta performance. O documento é endossado e assinado pelo Dr. Gerson Junqueira Jr., presidente da AMRIGS, e pelo Dr. Márcio Dornelles, presidente da SOGAMEDE e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE).


Destaque – Copa do Mundo inspira hábitos saudáveis para quem está parado, mas exige cuidados. Imagem: aloart / G.I.


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