Para o médico e escritor Albino Bonomi, rituais familiares durante o Mundial funcionam como marcos afetivos que moldam o desenvolvimento emocional das crianças.


A cada Copa do Mundo, milhões de brasileiros repetem um ritual que atravessa gerações: reunir a família na sala para assistir aos jogos, torcer, celebrar as vitórias e absorver as derrotas. Mais do que um mero evento esportivo, o torneio se transforma em um cenário propício para a construção de memórias afetivas profundas, ajudando a estreitar significativamente os laços entre pais e filhos.

Para o médico obstetra e escritor Albino Bonomi, essas experiências compartilhadas possuem um valor imaterial que vai muito além do placar final.

“Quando um pai assiste a um jogo ao lado do filho, ele não está apenas transmitindo o gosto pelo futebol. Está compartilhando emoções, histórias e sentimentos que ajudam a construir a identidade daquela criança”, explica o especialista. Segundo ele, na maioria das vezes, o que permanece na memória de longo prazo não é o resultado exato da partida, mas a experiência de pertencimento vivida em família.

O impacto das memórias da infância na vida adulta

Essa reflexão dialoga diretamente com a bagagem literária do médico. Em sua obra O Ciclo Gestatório de um Homem, o autor revisita lembranças da infância para discutir como as vivências dos primeiros anos influenciam a formação emocional e psicológica na fase adulta. O tema também reverbera em seu livro Como criei filhos fortes e felizes, focado na presença dos pais e na construção de valores no ambiente familiar.

Bonomi aponta que as grandes competições esportivas funcionam como potentes marcos afetivos, capazes de conectar diferentes épocas em torno de um único sentimento.

“Existem pessoas que se recordam com total clareza de uma Copa do Mundo assistida ao lado do pai, do avô ou dos irmãos, mesmo décadas depois. Essas lembranças permanecem intactas porque carregam afeto e criam um senso de pertencimento crucial para o indivíduo”, destaca.

O esporte como ferramenta de aprendizado emocional

Para além da nostalgia, o escritor observa que o ambiente do futebol oferece oportunidades práticas para o aprendizado socioemocional. Ao acompanhar a oscilação entre vitórias e derrotas, crianças e adolescentes desenvolvem habilidades essenciais como resiliência, empatia e tolerância à frustração.

“A vida é feita de conquistas e perdas, e o esporte ilustra essa dinâmica de maneira muito clara. Quando os pais dividem esse momento com os filhos, surgem ganchos naturais para conversas formativas e ensinamentos que fortalecem a inteligência emocional”, ressalta o médico.

Em uma era digital onde a rotina acelerada e as telas frequentemente reduzem o tempo de convivência familiar genuína, os dias de jogos da Seleção Brasileira surgem como uma pausa estratégica para a aproximação. Para Bonomi, o legado definitivo do torneio não é medido em gols ou troféus.

“Os filhos crescem, as competições terminam e as estatísticas são esquecidas. O que fica são as emoções compartilhadas. São essas experiências estruturantes que ajudam a formar adultos mais seguros e conscientes da importância dos vínculos de afeto”, conclui.

Serviço: Literatura e Comportamento

Para quem deseja se aprofundar nos temas de desenvolvimento humano e relações familiares abordados pelo autor, os títulos estão disponíveis na plataforma Clube de Autores:

• Como criei filhos fortes e felizes – Edição Digital e Impressa
• O Ciclo Gestatório de um Homem – Edição Digital e Impressa


Albino Bonomi – Médico e escritor.


Destaque – Família reunida para o jogo da Seleção Brasileira. Imagem: aloart / G.I.


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