Levantamento aponta descaso na central 135, onde atendentes ignoram dúvidas e interrompem chamadas de contribuintes; falhas no órgão federal contrastam com privilégios da classe política e corrupção.


Em levantamento realizado nesta quarta-feira, 6, detectamos mais uma falha grave na prestação de serviços governamentais. O alvo da vez é o atendimento telefônico do INSS. O calvário começa na espera: a média para ser atendido pelo canal 135 ultrapassa os 20 minutos. Quando a ligação finalmente é completada, o cenário não é de solução, mas de total desrespeito.

Indolência e desligamentos sem explicação

Ao vencer a barreira do cronômetro, o cidadão depara-se com atendentes que demonstram apatia e falta de vontade. O problema ganha contornos de crueldade quando o contribuinte apresenta dúvidas. Em vez de orientar, a “estratégia” parece ser o descarte: relatos confirmam que, ao ser questionada sobre pontos específicos, há atendentes que simplesmente desligam a ligação, deixando o trabalhador falando sozinho.

Este fato não é isolado. Enquanto o órgão federal lida com investigações de fraudes bilionárias envolvendo aposentados e o Banco Master, trata com desprezo aqueles que suaram a camisa para alcançar uma aposentadoria já cercada de entraves e valores pífios se comparados aos da classe política.

O contraste entre Brasília e a realidade das ruas

Enquanto o contribuinte é ignorado ao telefone, em Brasília os responsáveis por criar e fiscalizar as leis desfrutam de aposentadorias privilegiadas e tempos reduzidos. É um abismo moral escancarado: quem sustenta o sistema é justamente quem recebe a pior parcela de atenção dele.

O Governo Federal tenta vender a imagem de um Brasil satisfeito e em crescimento, mas a realidade dos canais oficiais desmente a propaganda. Não há bem-estar social possível quando o órgão responsável pela segurança financeira do idoso permite que suas centrais de atendimento funcionem dessa maneira.

Felicidade mascarada e a realidade paulistana

A tentativa de pintar o brasileiro como um povo feliz esbarra nos dados. No último levantamento mundial, a maior e mais desenvolvida metrópole do país, São Paulo, amargou a 161ª posição em matéria de felicidade. As falhas crônicas no serviço 135 e a corrupção enraizada no INSS são combustíveis diretos para esse descontentamento. Ainda falta muito para o Brasil figurar entre as melhores nações para se viver, e o caminho também começa pelo respeito a quem já deu sua cota de contribuição ao país.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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