Entre as principais reclamações que chegam ao Procon-SP, as cobranças indevidas ocupam o primeiro lugar. Para quem não dispõe de recursos para contratar advogados, o único caminho são os Juizados Especiais Cíveis (JECs), cuja reputação também vem sendo colocada em xeque em razão do atendimento prestado aos cidadãos (leia aqui).


Sem ter a quem recorrer, muitas pessoas acabam desistindo e ficam à mercê das grandes companhias, que agem sem maiores consequências. São milhares de consumidores lesados por cada uma delas. Somados, transformam-se em milhões e a conta fecha em bilhões de reais de faturamento a favor dos infratores e contra consumidores indefesos.

Fios abandonados

Fios de telefonia, banda larga ou de origem indefinida estão abandonados por todo o bairro do Tatuapé. Em cada local visitado, observam-se cabos pendendo de postes, espalhados pelas calçadas e ao lado das vias de circulação de automóveis. As imagens se repetem de forma alarmante.

Em contato com a assessoria de imprensa da Vivo, ainda em outubro do ano passado, a respeito de diversas ocorrências nas ruas Santa Gertrudes e Pero Nunes, na Chácara Santo Antônio, a companhia respondeu: “A Vivo informa que sua rede está regularizada. Equipes estiveram no local mencionado pela reportagem e realizaram os reparos necessários na fiação que era de responsabilidade da empresa.”

No entanto, o problema não se restringe a essas vias. Fios abandonados foram encontrados em diversos pontos do bairro.

A consequência dessa desorganização entre as principais empresas de telefonia, TV a cabo e internet são as constantes falhas nos serviços. Consumidores entram em contato com as centrais de atendimento, recebem informações truncadas, lidam com atendentes que encerram ligações abruptamente e, ao final, os problemas persistem.

 

Caos da fiação e fios pendentes na Rua Francisco Marengo e na Rua Serra de Botucatu. Fotos: aloimage

 

As imagens acima, registradas na Rua Francisco Marengo, esquina com a Rua Serra de Botucatu, são emblemáticas e simbolizam o descaso dessas companhias tanto com seus equipamentos quanto com os serviços prestados à população.

Entre as empresas mais criticadas também figura a Enel SP, que, segundo consumidores, mantém cobranças abusivas nas contas de energia elétrica. Procuradas, as assessorias de imprensa da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado — apesar dos esforços conjuntos para barrar a renovação do contrato com a concessionária — não responderam aos questionamentos sobre as cobranças indevidas e nem se pretendem tomar providências.

No Brasil, burlar a lei compensa

Muito se reclama da falta de energia, mas pouco se discute sobre as cobranças indevidas. As agências reguladoras não resolvem, o Procon-SP encaminha os casos aos JECs, que frequentemente não apresentam soluções efetivas, e, por fim, com equipes jurídicas robustas, as empresas conseguem se livrar de multas milionárias.

Situação semelhante se repete com operadoras como Claro e Vivo. Consumidores perdem a esperança na Justiça e, sem alternativas, acabam pagando para ter acesso à internet e à energia elétrica, seja em casa ou em seus negócios. Essa é a dura realidade da maior cidade do Brasil: São Paulo.

A máxima de que “o crime não compensa” parece invertida — e é justamente esse o legado que hoje está em debate.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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