O dia 24 de abril, marcou o início da 29ª campanha anual “International Noise Awareness Day” (awareness = conhecimento e noise = barulho, ruído, barulheira, fazer barulho). Uma das ações tipicamente realizadas é a promoção de 1 minuto de silêncio, às 14h15min, com o intuito de ressaltar o impacto do ruído na vida cotidiana e proporcionar aos participantes uma oportunidade de conscientização ao redor do mundo.


No próximo dia 28 de abrill, será a vez de o Panamá parar durante esse tempo simbólico. O Brasil também já deu exemplo em 27 de abril de 2016, quando em frente a Casa das Rosas na Avenida Paulista, com uma atividade da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Desembargador Amorim Lima, sob a coordenação da pedagoga e diretora Ana Elisa Pereira Flaquer de Siqueira, as crianças puderam demonstrar aos adultos a importância deste tema, com destaque para os 60 segundos em que o trânsito, numa das principais avenidas de São Paulo, ficou interrompido nos dois sentidos por essa boa causa. A ação foi realizada simultaneamente em vários países do mundo.

Perturbação sonora

No dia seguinte a esse evento, na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), ocorreu a 3ª Conferência Municipal sobre Ruído, Vibração e Perturbação Sonora, iniciativa do então vereador Andrea Matarazzo, que contou com a presença de diversos especialistas no assunto. Na ocasião também esteve presente o vereador Aurélio Nomura. Ambos são os proponentes da Lei 16.499, que viria ser aprovada no dia 20 de julho de 2016, com o objetivo principal de criar um Mapa do Ruído na cidade de São Paulo até 2023. Entre outras informações, Matarazzo disse à época que “nas ruas onde há paralelepípedos existe um grande número de pessoas que reclamam devido ao excesso de ruídos”. A informação pode parecer banal para alguns, mas demonstra a sensibilidade de cada grupo à emissão de ruídos.

Lei do Mapa do Ruído

Na quarta-feira (24/04), em contato com a assessoria do vereador Aurélio Nomura, um dos autores da Lei 16.499, ele comentou que o Mapa do Ruído é um enorme ganho para a cidade e para o meio ambiente. “Os nossos ouvidos já estão tão acostumados com estes barulhos que não percebemos o incômodo, mas a nossa saúde vai ficando cada vez mais fragilizada”.

Para mostrar a gravidade do tema, o vereador cita os dados da Organização Mundial de Saúde (MS) mostrando que o ruído está entre as três maiores causas da poluição ambiental, ao lado da poluição da água e do ar. Em função disso, 10% da população mundial apresentam algum tipo de deficiência auditiva.

“Os níveis de ruído na cidade são alarmantes. O Aeroporto de Congonhas, o sistema viário e de trilhos são fontes que afetam nossa saúde e não percebemos”, alerta o parlamentar. “O barulho excessivo e constante causa inúmeros problemas como insônia, fadiga, falta de concentração, perda de audição, danos ao sistema nervoso central, dilatação das pupilas, aumento dos batimentos cardíacos e alterações do comportamento”, alerta o vereador, citando estudos do Conselho Regional de Fonoaudiologia.

Exemplos mundiais

Nova York estabeleceu um código de ruído em 1936, que foi aperfeiçoado em 1972 e revisado por volta de 1985, com o auxílio de Nancy Nadler – criadora do International Noise Awareness Day em 1996. Nomura menciona o exemplo da lusitana Lisboa que, com a edição do mapeamento de ruído no ano 2000, conseguiu detalhar ponto a ponto o problema, a partir do qual estabeleceu as intervenções e as políticas públicas necessárias para a eliminação desse tipo de poluição.

No país, uma das organizações que trabalha pela conscientização sobre o ruído é a INAD Brasil, acesse a página na web e conheça. Apesar de toda a importância, todavia, a Lei 16.499 de 2016, ainda tramita inconclusiva na CMSP. Em votação na Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente em 17 de maio do ano passado, o prazo para que o Mapa do Ruído fosse consumado foi dilatado, sendo que parte dele poderá ser entregue em 2026 e outra em 2029. O que não deixa de ser desanimador.


Destaque – Imagem: aloart


Publicação:
Quinta-feira | 25 de abril, 2024