A pesquisa foi realizada pela Hand Talk em parceria com o Movimento Web Para Todos, entre os dias 26 de junho e 31 de julho de 2023. Participaram 647 entrevistados, entre executivos, pessoas com deficiência e especialistas no assunto.


Apesar de o país ter mais de 17 milhões de habitantes com deficiência, menos de 1% dos sites são considerados acessíveis. O primeiro recorte de informações foi feito a partir das percepções das pessoas com deficiência sobre o tema.

O comportamento digital e as necessidades assistivas

Segundo a pesquisa, 47,88% das pessoas com deficiência entrevistadas no estudo disseram concordar, parcialmente ou totalmente, que os sites e aplicativos com que interagem no dia a dia contemplam suas necessidades de navegação. Algo que para os pesquisadores foi surpreendente.

“No entanto, é curioso avaliar que ninguém com cegueira ou deficiência visual estava completamente de acordo com a afirmação. Ou seja, a web pode até ser mais acessível do que imaginávamos, mas precisamos melhorar nossas ações de inclusão principalmente para pessoas cegas ou com baixa visão,” concluíram.

Tecnologias assistivas

Os toolkits, ferramentas com diversas funcionalidades de ajustes de layout de páginas de sites, por exemplo, foram os mais classificados como “péssimo” em comparação com as demais soluções. “É interessante perceber que as pessoas usuárias com deficiência valorizam mais as extensões gratuitas oferecidas nos navegadores do que esses ‘toolkits’, já que estas extensões têm praticamente as mesmas funcionalidades e são melhor avaliadas pelas pessoas entrevistadas,” frisou a pesquisa.

Mercado de trabalho

Os pesquisadores também apuraram sobre as barreiras de acessibilidade digital ao mercado de trabalho para as pessoas com deficiência, a fim de conseguirem colocação profissional. A maioria das pessoas entrevistadas (48,47%) concordou, parcial ou totalmente, que o número de vagas afirmativas para pessoas com deficiência está aumentando. “Esses dados podem evidenciar um movimento positivo do mercado de trabalho em busca de uma inclusão social mais efetiva. Por outro lado, apenas 36,70% delas dizem concordar, parcial ou totalmente, que os processos seletivos contemplam suas necessidades assistivas,” apontaram.

Ou seja, há uma preocupação das empresas em oferecer vagas para pessoas com deficiência, porém não há um preparo adequado para conduzir os processos seletivos contemplando suas necessidades assistivas e garantindo sua inclusão desde esse momento.

Comportamento das empresas

Segundo o estudo, as organizações ainda possuem muitas dificuldades para colocar a acessibilidade digital em prática, principalmente por conta da falta de conhecimento sobre o tema e da falta de aderência de outros times essenciais para o sucesso do projeto. “No fim, muitas iniciativas não saem do papel ou se saem, as equipes não sabem como metrificar seu impacto para o negócio.” O estudo concluiu que apenas 18% das empresas representadas pelas pessoas participantes contratam especialistas em acessibilidade digital e somente 21,6% aplicam treinamentos periódicos sobre o tema.

Cenário da inclusão no Brasil

O levantamento, afirma que a percepção é de um desafio significativo e nesse sentido uma oportunidade para promover a acessibilidade digital de forma mais efetiva no pais. “Iniciativas acessíveis precisam ser mais priorizadas, e somente através da conscientização, educação e esforços coordenados poderemos construir um ambiente digital verdadeiramente inclusivo.”


Fonte: Hand Talk / com informações de Ana Sofia Gala


Destaque – Imagem: aloart


Publicação:
Quinta-feira | 18 de julho, 2024


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