André Naves — Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Comendador cultural, escritor e professor. 


“Nesta data, minha homenagem vai para aqueles que carregam mais do que responsabilidades — carregam amor em sua forma mais pura”, pontua André Naves.


Neste Dia dos Pais, que será celebrado no domingo (10), o Defensor Público Federal André Naves, referência na defesa dos direitos das Pessoas com Deficiência (PcDs), presta uma homenagem especial a esses pais que enfrentam desafios diários, com força, paciência, amor incondicional e uma luta constante por inclusão, dignidade e um futuro seguro para seus filhos. “O que acontecerá quando eu não estiver mais aqui?”; “Meu filho será capaz de cuidar de si mesmo no futuro?”; “Quem vai apoiá-lo com amor e atenção?”, são indagações frequentes.

Com seu compromisso com a Inclusão Social e a causa PcD, André Naves se solidariza “com aqueles que carregam mais do que responsabilidades — carregam amor em sua forma mais pura”. Nesta data, Naves reuniu dois relatos de famílias ligadas ao Grupo Chaverim, de São Paulo, onde ele é Conselheiro. A instituição atua há mais de 30 anos na socialização de jovens com deficiência intelectual, promovendo autonomia por meio de atividades sociais, culturais e de convivência. “Esses pais vivem realidades duras que exigem muita resiliência, em uma sociedade que ainda não reconhece plenamente pessoas com deficiência como sujeitos de direitos”, afirma o Defensor Público.

Pai de Ana Carolina Alcântara Gomes, Ronald Gomes (foto abaixo) lembra do momento em que recebeu o diagnóstico da filha: “O médico disse que ela não ia conseguir andar nem falar”. Mas com as inúmeras atividades de reabilitação que fez desde cedo – incluindo fisioterapia, equoterapia e escola especializada – Ana contrariou os prognósticos, aprendeu a ler, a escrever e a se comunicar, conquistando sua independência. “Hoje ela se desloca sozinha pela cidade, pega condução, vai aonde quer. A maior preocupação agora é o futuro, quando não estivermos mais aqui. Mas sabemos que ela está bem encaminhada”, relata Ronald, emocionado.

 

Ronald Gomes e Ana Carolina Alcântara Gomes / Foto: Arquivo pessoal

 

Outro depoimento é o de Jacques Eugene Lucien Rachmann Cohen, pai de Daniel Jacques Cohen (foto abaixo), que destaca os desafios menos visíveis enfrentados no cotidiano. “Andar sozinho ou pegar transporte público pode parecer banal para alguns, mas é uma dificuldade real para pessoas com deficiência intelectual. Ainda falta preparo na sociedade, e isso isola nossos filhos”, afirma. Ele também expressa a inquietação que compartilha com tantos outros pais: “Por ser filho único, a pergunta que fica é: como será o futuro dele quando não estivermos mais aqui?”

 

Jacques Eugene Lucien Rachmann Cohen e filho Daniel Jacques Cohen / Foto: Arquivo pessoal

 

Para o Defensor Público, histórias como essas escancaram a necessidade de um olhar mais humano e eficiente das autoridades e dos legisladores para a formulação de políticas públicas que realmente apoiem esses indivíduos, em maior profundidade.

“As famílias fazem sua parte com coragem e dedicação, mas é papel do Estado garantir que pessoas com deficiência possam viver com dignidade e autonomia. Precisamos estruturar uma rede de apoio que vá além da boa vontade individual, para que nenhuma família enfrente esses desafios sozinha”, enfatiza Naves, que reitera: “Apoiar instituições como o Grupo Chaverim é essencial porque elas dão um suporte importante a essas famílias, ajudando a promover uma sociedade mais justa e plural. Esses pais são verdadeiros defensores dos direitos dos filhos. A minha homenagem neste Dia dos Pais é também um chamado à responsabilidade coletiva”, conclui.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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