Encontros em casa, delivery, produtos temáticos e apostas esportivas entram na rotina das famílias e exigem planejamento estratégico durante os jogos.


O Mundial de Futebol altera profundamente a rotina de consumo dos brasileiros antes mesmo das partidas iniciarem. Quando tem jogo, a casa se transforma em ponto de encontro, o supermercado entra no roteiro da torcida e gastos que parecem pequenos passam a competir diretamente com as despesas fixas do mês.

Carnes, bebidas, petiscos, delivery, roupas temáticas, decoração verde e amarela, televisores e apostas esportivas formam uma lista extensa. Sem o devido planejamento, esse conjunto de despesas pode pesar no orçamento familiar por muito tempo, mesmo após o apito final do campeonato.

Para a educadora financeira Adriana Ricci, o Mundial cria um ambiente altamente favorável ao consumo por impulso porque reúne emoção, convivência e a sensação de oportunidade única. “O problema não está em comemorar, receber amigos ou participar do clima, o risco aparece quando o torcedor deixa a emoção comandar o cartão e só percebe o excesso quando a fatura chega”, diz.

O perigo dos gastos invisíveis e o efeito acumulado

Na prática, a pressão sobre o bolso aparece em situações cotidianas. Uma família decide assistir ao jogo em casa e calcula apenas o valor da carne, mas esquece de contabilizar as bebidas, o carvão, o gelo, a sobremesa, os descartáveis e as reposições de última hora.

Conforme o Brasil avança no torneio, o torcedor compra uma camisa parcelada, bandeirinhas, produtos temáticos, pede comida por aplicativo e faz pequenas apostas nos grupos do trabalho. Cada gasto parece inofensivo quando visto de forma isolada, mas, reunidos, eles comprometem uma parte relevante da renda mensal.

Para Adriana Ricci, que também é fundadora e head de Operações da SHS Investimentos, o primeiro passo é tratar os dias de jogo como eventos que precisam entrar oficialmente no orçamento. A lógica se aproxima da preparação de uma equipe para uma competição curta: o entusiasmo ajuda, mas não substitui a estratégia.

“Antes da partida, a família precisa definir quanto pode gastar, quem participa da divisão das despesas e quais itens realmente são necessários. O orçamento também precisa de escalação. Quando não há limite definido, qualquer convite vira consumo e a pessoa passa a jogar no improviso, por isso, o planejamento deve considerar quanto cabe no bolso para viver o Mundial sem comprometer o essencial e só a partir daí é que encontros serão organizados, compras divididas entre os convidados e nada de tomar decisões no calor da partida”, alerta Adriana.

Cuidados com o delivery, compras e o uso do cartão

O delivery merece atenção especial nessa temporada. A facilidade do pedido por aplicativo resolve a refeição rapidamente, mas eleva o custo final quando entram taxas de entrega, bebidas e acompanhamentos. A recomendação da especialista é comparar o valor total do pedido com alternativas preparadas em casa, especialmente em jogos com muitos convidados.

Os produtos temáticos também pedem critério. Itens de decoração e descartáveis fazem a diferença no clima da torcida, mas as compras não precisam ser repetidas a cada nova partida. O uso do cartão de crédito exige o mesmo cuidado, pois ao parcelar produtos ou chutar os gastos para a fatura seguinte, o consumidor transfere para o futuro uma despesa do presente.

O risco aumenta quando a família já tem outros parcelamentos ou utiliza o limite rotativo. A comemoração dura algumas horas, mas a dívida pode permanecer por meses. Por outro lado, o período também pode ser pedagógico se bem aproveitado.

“Apesar dos riscos, por outro lado, o Mundial de Futebol também pode abrir espaço para conversas sobre educação financeira dentro de casa. Ao montar a lista de compras, comparar preços e dividir responsabilidades, adultos e crianças podem trabalhar conceitos como orçamento, prioridade, escolha e limite. O tema vem para a realidade e passa a fazer parte de uma situação concreta, vigente e ligada à convivência familiar”, finaliza Adriana Ricci.


Destaque – Brasileiros mudam o comportamento e as despesas nos jogos da Seleção. Imagem: ChatGPT / +aloart


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