Emblemáticas e tombadas pelos órgãos de preservação, estruturas como Luz, Brás, Pindamonhangaba, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra unem mobilidade diária e acervo vivo da expansão paulista

Imagens e legendas: Estações Ferroviárias do Brasil de Ralph Mennucci Giesbrecht
Pesquisa, edição de imagens e legendas: aloart
Texto original: STM | Edição: ASP News


Neste 17 de agosto, data em que se celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) destaca o papel central de estações ferroviárias centenárias que continuam operantes na capital, na Região Metropolitana e no interior do Estado. Operados pela CPTM, pela Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ) e pelo Metrô, esses complexos funcionam como monumentos vivos, conectando o fluxo diário de passageiros à história do crescimento econômico, urbano e social de São Paulo.

A data comemorativa foi instituída em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898-1969), advogado e jornalista criador do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) em 1937 — atual IPHAN. No território paulista, essa herança cultural se expressa fortemente nos caminhos do ferro.

Monumentos nos trilhos: o valor histórico das estações paulistas

Cada complexo tombado guarda particularidades arquitetônicas e sociais ligadas aos ciclos econômicos do Estado, em especial a expansão cafeeira e a consolidação das primeiras linhas de transporte de massa:

 

Cerca de 1890, a segunda estação da Luz. Atrás, vemos o prédio na atual rua Mauá . Foto: Autor desconhecido


○ Estação da Luz (Capital):
Símbolo da era do café e inspirada no estilo vitoriano inglês — com referências ao Big Ben e à Abadia de Westminster —, foi tombada em 1982. Passou por obras recentes de restauro em fachadas, muros, torreões e prédio administrativo. Hoje integra as Linhas 1-Azul (Metrô), 4-Amarela (ViaQuatro), 10-Turquesa, 11-Coral e o Expresso Aeroporto (CPTM).

 

Estação do Braz (Brás na escrita atual), supostamente em 1900. Na foto, à esquerda ao fundo, a estação do Norte, depois chamada de Roosevelt. Foto: Autor desconhecido


○ Estação Brás (Capital):
Inaugurada em 1867 e tombada em 1982, é um dos nós estruturantes do transporte sobre trilhos do Estado. Sua história está diretamente ligada à urbanização da capital e à acolhida de grandes fluxos migratórios e operários ao longo das décadas.

 

Estação de Pindamonhangaba, prédio que foi aberto em 1884, visto em um postal colorizado que circulou em 1910


○ Estação Pindamonhangaba (Vale do Paraíba):
Ponto inicial da Estrada de Ferro Campos do Jordão, abriu em 1922 para cargas e passou a receber passageiros em 1971. A fachada foi tombada em 2021, destacando-se pelos quatro painéis de azulejos instalados em 1994. Abriga escritórios e um dos Centros de Memória Ferroviária da EFCJ.

 

1929: Estação de Ribeirão Pires. Foto: Autor desconhecido


○ Estação Ribeirão Pires (Grande São Paulo):
Erguida em 1885 pela São Paulo Railway e protegida pelo Condephaat em 2011, compreende um conjunto histórico protegido que inclui a estação, o armazém e a antiga vila operária.

 

Estação primitiva de Rio Grande da Serra, possivelmente nos anos 1880. Foto: Autor desconhecido


○ Estação Rio Grande da Serra (Grande São Paulo):
Segunda estação mais antiga do Estado de São Paulo, também construída pela São Paulo Railway, teve seu tombamento efetivado em 2011 pela sua relevância na fundação da malha ferroviária paulista.

Gestão e restauro do patrimônio técnico

A preservação de estruturas ferroviárias em uso exige rigor técnico para conciliar o fluxo contínuo de usuários às normas impostas pelos órgãos de proteção, como o Iphan e o Condephaat. A CPTM conta com equipes especializadas dedicadas exclusivamente à conservação, manutenção preventiva e projetos de restauração. As intervenções buscam assegurar a integridade arquitetônica, a recuperação de elementos originais e a longevidade dos imóveis, garantindo que a memória do transporte permaneça acessível às próximas gerações.


Destaque – Pátio da estação da Luz nos anos 1860/70. À direita, a atual Rua Mauá. À esquerda, o Jardim da Luz. Foto: Autor desconhecido


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