Presidente acompanha desfile no Rio de Janeiro com referências diretas à sua trajetória política; especialistas analisam possível infração às regras eleitorais em pleno ano de eleição.
Em meio ao calendário eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado durante desfile na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, episódio que gerou críticas e abriu debate sobre eventual promoção pessoal com antecedência de oito meses do pleito.
Bonecos representando o presidente, cartazes e referências visuais marcaram o desfile acompanhado por Lula em camarote. A cena rapidamente repercutiu nas redes sociais e na imprensa nacional e internacional, alimentando questionamentos sobre o respeito às normas eleitorais e à Constituição.
Críticos apontam que, em ano eleitoral, a exposição pode configurar vantagem indevida, especialmente diante da informação de que cerca de R$ 12 milhões teriam sido destinados às escolas de samba do Rio de Janeiro. Em contrapartida, apoiadores argumentam que o financiamento ao carnaval integra políticas culturais recorrentes e que não haveria irregularidade automática na homenagem.
Repercussão internacional
Segundo relatos divulgados pela Associated Press, Lula já foi tema de homenagens anteriores no carnaval — inclusive pela Beija-Flor de Nilópolis e pela Gaviões da Fiel — mas a agência destacou que nunca antes uma celebração dessa natureza teria ocorrido em ano de eleição presidencial com acompanhamento atento do Tribunal Superior Eleitoral.
A Agence France-Presse também repercutiu o episódio, ressaltando críticas à homenagem a um presidente em exercício durante ano eleitoral. A cobertura mencionou ainda trechos do samba-enredo com referências políticas e a citação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado de forma satírica.
Legislação eleitoral
Analistas ouvidos por diferentes veículos avaliam se houve infração eleitoral. Especialistas em direito eleitoral destacam que a caracterização de propaganda antecipada depende de elementos como pedido explícito de voto, uso de recursos públicos para promoção pessoal e impacto direto no processo eleitoral.
O episódio reacende o debate sobre os limites entre manifestações culturais, liberdade artística e promoção política em período pré-eleitoral. Enquanto opositores classificam a situação como afronta às regras, aliados sustentam que se trata de manifestação legítima dentro da tradição carnavalesca brasileira.
A eventual abertura de investigação pelo TSE poderá esclarecer se houve ou não irregularidade. Até lá, o desfile segue como um dos momentos mais comentados do atual cenário político.
Destaque – Carnaval 2026 – Marquês de Sapucaí – Grupo Especial – Acadêmicos de Niterói – Foto: João Salles | Riotur




